segunda-feira, 13 de junho de 2016

-MARX E ENGELS ESTÃO SEMPRE CERTOS!

Por Jeorge Cardozo

Umas das questões emblemáticas dessa crise política e econômica atual perpassam pelo entendimento das máximas de Marx e Engels a cerca do capitalismo e da burguesia, classe detentora do capital, das ideias e, consequentemente, responsáveis diretos por todos os males do mundo na atualidade.
Para o nosso entendimento, vou aqui reproduzir parte de textos originais com as ideias e máximas desses autores, a partir de grifos nossos, demostrando que esses dois autores tem sempre razão a cerca do desenvolvimento e consequências do capitalismo, da burguesia e de seus antagonismos posteriores.
Na página 5O, da edição 2OO2, do Manifesto Comunista, Marx e Engels preconizam que “A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população, suprime na medida em que, através da compra, fusão ou fechamento de fábricas, elimina a concorrência. Aglomerou a população, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A consequência necessária disso foi a centralização política e o inchamento das cidades e seus guetos. Províncias independentes, ligadas entre si quase que só por laços confederativos, com interesses, leis, governos e tarifas aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só governo, uma só legislação, um só interesse nacional de classe, uma só barreira alfandegaria”.
Continuam eles, ainda na página 5O, “Em seu domínio de classe de apenas cem anos, a burguesia criou forças produtivas mais poderosas e colossais do que todas as gerações passadas em conjunto. Lembre-se que os cem anos referidos, refere-se ao tempo de publicação da obra, ora comentada. Portanto, hoje são quase trezentos anos. Subjugação das forças da natureza, maquinaria, aplicação da química na indústria e na agricultura, navegação a vapor, ferrovias, telégrafo elétrico, exploração de continentes inteiros, navegabilidade dos rios, populações inteiras brotadas do solo como que por encanto – qual século anterior poderia suspeitar que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social”? Veja que o avião e o carro ainda não existiam quando da publicação da citada obra.
Continuam eles, “Vimos, portanto, que os meios de produção e de troca à base dos quais veio se constituindo a burguesia foram produzidos no interior da sociedade feudal. Refere-se ao momento do desenvolvimento do capitalismo, quando ainda existiam resquícios do antigo regime feudal. Num certo estágio de desenvolvimento desses meios de produção e de troca, as condições nas quais a sociedade feudal produzia e trocava, quer dizer, as organizações feudais da agricultura e da manufatura, numa palavra, as relações feudais de propriedade, deixaram de corresponder às forças produtivas já desenvolvidas. Entravavam a produção ao invés de impulsioná-la. Transformaram-se em outras tantas cadeias. Precisavam ser despedaçadas e foram despedaçadas”. Aqui é interessante observar que, segundo os autores, há uma contradição. Essa contradição é o momento em que um modelo econômico não consegue mais dar resposta a sociedade, ou seja, não consegue mais alimentar e gerar riqueza, entrando em colapso e criando obstáculo para o “novo” em andamento.
“Em seu lugar implantou-se a livre concorrência, com uma constituição política e social apropriada, com o domínio econômico e político da classe burguesa”. Livre concorrência no sentido em que não há mais a mão do Estado na economia, a própria concorrência define quem fica e quem sai da disputa do mercado.
“Assistimos hoje a um movimento análogo. As relações burguesas de produção e de troca, as relações burguesas de propriedade, a moderna sociedade burguesa, que fez surgir como que por encanto possantes meios de produção e de troca, assemelham-se ao feiticeiro que já não pode controlar as potencias infernais por ele postas em movimento. Há mais de uma década a história da indústria e do comércio não é senão a história da revolta das forças produtivas modernas contra as modernas relações de produção, contra as relações de propriedade que são a condição de existência da burguesia e de seu domínio. Basta mencionar as crises comerciais que, com seu periódico retorno, põem em questão e ameaçam cada vez mais a existência de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais é destruída regularmente uma grande parte não só dos produtos fabricados, como também das forças produtivas já criadas. Nessas crises, irrompe uma epidemia social que em épocas precedentes teria parecido um absurdo – a epidemia da superprodução. A sociedade vê-se repentinamente reconduzida a um estado de barbárie momentânea; o comercio e a indústria parecem aniquilados, e por quê? Porque a sociedade possui demasiada civilização, demasiados meios de subsistência, demasiada indústria, demasiado comercio. As forças produtivas disponíveis já não favorecem mais o desenvolvimento da civilização burguesa e das relações burguesas de propriedade; ao contrario, tornaram-se poderosas demais para essas relações e passam a ser por elas travadas; e, assim que vencem esse obstáculo, desarranjam toda a sociedade, põe em perigo a existência da propriedade burguesa. As relações burguesas tornaram-se estreitas demais para conter a riqueza por elas mesmas criadas. E de que modo a burguesia vence tais crises? Se um lado, através da destruição forçada de uma massa de forças produtivas; de outro, através da conquista de novos mercados e da exploração mais intensa dos antigos. De que modo, portanto? Mediante a preparação de crises mais gerais e mais violentas e a diminuição dos meios de evita-las. Aqui está a chave do momento de crise atual, quando os autores mostram claramente as relações promiscuas exercida pelo capital, “fabricando” crises, derrubando governo soberano que se opõem a toda essa barbárie, derrubam moedas e bolsas, gerando crises, pois, o capitalismo sobrevive das crises, por ele mesmo criadas e disseminadas, para gerar novos ciclos e ganhar novos mercados.
AS armas de que se serviu a burguesia para abater o feudalismo voltam-se agora contra a própria burguesia. Refere-se ao antagonismo criado, ou seja, pobreza e miséria para a maioria e opulência para uma minoria, gerando convulsão social e revoluções.  
Mas a burguesia não forjou apenas as armas que lhe trarão a morte; produziu também os homens que empunharão essas armas – os operários modernos, os proletários, trabalhadores.
Na mesma proporção em que se desenvolve a burguesia, ou seja, o capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos, que só encontram trabalho na medida em que o seu trabalho aumente o capital. Tais operários, obrigados a se vender peça por peça, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comercio e estão, portanto, expostos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as flutuações do mercado. Pag. 5O e 51. O operário passa a se confundir com a própria mercadoria por ele produzida, é o processo de alienação e coisificação do operário.
O desenvolvimento da maquinaria e a divisão do trabalho levam o trabalho dos proletários a perder todo caráter independente e com isso qualquer atrativo para o operário. Esse se torna um simples acessório da máquina, do qual só se requer a operação mais simples, mais monótona, mais fácil de aprender. Em decorrência, as despesas causadas pelo operário reduzem-se quase exclusivamente aos meios de subsistência de que necessita para sua manutenção e para a reprodução de sua espécie. Mas o preço de uma mercadoria e, portanto, o do trabalho, é igual ao seu custo de produção. Logo, à medida que aumenta o tédio do trabalho, diminui o salário. Mais ainda: à medida que crescem a maquinaria e a divisão do trabalho, cresce também a massa de trabalho, quer através do aumento do trabalho exigido num certo tempo, quer através da aceleração da velocidade das máquinas, etc. pag. 52. Com isso, criam-se um excedente de mão de obra com o avanço da tecnologia aplicada na produção, levando o salario, cada vez mais, para baixo e aumento dos produtos produzidos.
A indústria moderna transformou a pequena oficina do mestre-artesão patriarcal na grande fábrica do capitalista industrial burguês. Massas de operários, aglomeradas nas fábricas, são organizadas militarmente. Como simples soldados da indústria, são postos sob a vigilância de uma completa hierarquia de suboficiais e oficiais. Não são apenas servos da classe burguesa, do Estado burguês, mas são também, a cada dia e a cada hora, escravizados pela máquina, pelo capataz e sobretudo pelo singular burguês fabricante em pessoa. Tal despotismo é tão mais mesquinho, odioso e exasperador quanto mais abertamente proclama ser o lucro seu objetivo último. Suboficiais e oficiais, refere-se aos chefes, subgerente, gerentes, diretores da atualidade.Pag. 52.
Quanto menos habilidade e força exige o trabalho manual, quer dizer, quanto mais a indústria moderna se desenvolve, mais o trabalho dos homens é suplantado pelo das mulheres e crianças. As diferenças de sexo e de idade não têm mais valor social para a classe operária. Ficam apenas instrumentos de trabalho, cujo custo varia conforme a idade e o sexo. Hoje o operário não é mais suplantado pelas mulheres e crianças e sim, pela automação, pag. 52.
Uma vez terminada a exploração do operário pelo fabricante, isto é, logo que o operário recebe seu salário, caem sobre ele às outras partes da burguesia: o proprietário da casa, o merceeiro, o usuário, as contas, etc. Refere-se as despesas que o operário tem que pagar ao fim de cada mês, como aluguel, condomínio, água, luz, escola, saúde, taxas e etc. pag. 52-53.
As que até agora fora, as pequenas camadas médias – os pequenos industriais, os pequenos comerciantes e os que vivem de pequenas rendas, os artesões e os camponeses -, todas essas classes caem no proletariado; em parte porque sua habilidade é desvalorizada pelos novos métodos de produção. Assim, o proletariado é recrutado em todas as classes da população. Refere-se a classe média, o pequeno comerciante, o dono da pequena oficina que, não conseguem competir no mercado tão desleal, que voltam ao mercado em busca de emprego Pag. 53.
O proletariado passa por diferentes fases de desenvolvimento. Sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência. Refere-se as lutas que o operário tem no dia contra o patrão por causa das condições impostas por eles. Pag. 53.
No principio, luta, operários isolados, depois os operários de uma mesma fábrica, a seguir os operários de um mesmo ramo da indústria, numa dada localidade, contra o burguês singular que os explora diretamente. Dirigem seus ataques não apenas contra as relações burguesas de produção, mas contra os próprios instrumentos de produção; destroem as mercadorias estrangeiras que lhes fazem concorrência, quebram as máquinas, incendeiam as fábricas, procuram reconquistar pela força a desaparecida posição do trabalhador da Idade Média. Pag. 53.
Nessa fase, os operários constituem uma massa disseminada por todo o país e dispersa pela concorrência. A aglomeração de operários em grandes massas ainda não é o resultado da sua própria união, mas da união da burguesia, a qual, para alcançar seus próprios objetivos políticos, é obrigada a colocar em movimento todo o proletariado, o que por enquanto ainda pode fazer. Nessa fase, portanto, os proletários não combatem os seus inimigos, mas os inimigos de seus inimigos, os restos da monarquia absoluta, os proprietários de terras, os burgueses não industriais, os pequenos burgueses. Assim, todo o movimento histórico está concentrado nas mãos da burguesia; toda vitória obtida nessas condições é uma vitória da burguesia. Referem-se na atualidade, as mediadas econômicas tomadas, são, em geral, para beneficiar a burguesia. Pag. 53.
Porém, com o desenvolvimento da indústria, o proletariado não apenas se multiplica; concentra-se em massas cada vez maiores, sua força aumenta e ele sente mais tudo isso. Os interesses, as condições de existência no interior do proletariado igualam-se cada vez mais, à medida que a maquinaria elimina todas as distinções de trabalho e reduz, quase por toda parte, os salários a um mesmo nível baixo. A crescente concorrência dos burgueses entre si e as crises comerciais que disso resultam tornam os salários dos operários cada vez mais instáveis; o aperfeiçoamento constante e cada vez mais rápido das máquinas torna as condições de vida do operário cada vez mais precário; os choques entre o operário e o burguês singular assumem cada vez mais o caráter de conflitos entre duas classes. Os operários começam a formar coalizões contra os burgueses; reúnem-se para defender seus salários. Chegam até mesmo a fundar associações permanentes para estarem precavidos no caso de eventuais sublevações. Aqui e ali a luta explode em revoltas. Refere-se ao momento atual de crise, em que o operário começa a perceber a dominação do capital sobre ele e aí, começa a reagir. Pag. 53 e 54.
De tempos em tempos os operários triunfam, mas é um triunfo efêmero. O verdadeiro resultado de suas lutas não é o êxito imediato, mas a união cada vez mais ampla dos operários. Tal união é facilitada pelo crescimento dos meios de comunicação que são criados pela grande indústria e que colocam em contato para centralizar as numerosas lutas locais, todas do mesmo caráter, numa luta nacional, numa luta de classes. Mas toda luta de classes é uma luta politica. E a união que os habitantes das cidades da Idade Média, com seus caminhos vicinais, levaram séculos para alcançar é hoje, com as ferrovias, aviação e demais inovações dos meios de transportes conseguidas em poucos anos pelos proletários modernos. Refere-se as vitorias isoladas conquistadas pelos operários, mas, para os autores só uma vitória definitiva do operário contra a estrutura montada pelo capital e pela burguesia levará o capitalismo e a burguesia a morte. Pag. 54.
Essa organização do proletariado em classe e, com isso, em partido político, é incessantemente abalada pela concorrência entre os próprios operários. Mas renasce sempre, cada vez mais forte, mais firme, mais poderosa. Aproveita-se das divisões internas da burguesia para força-la a reconhecer, sob a forma de lei, certos interesses particulares dos operários. Foi assim, por exemplo, com a Lei das dez horas de trabalho na Inglaterra. Refere-se às lutas travadas pelos operários no século XIX para conseguir a jornada diária de dez horas. Lembre-se que na atualidade a jornada é de oito horas e, já tem projetos para baixar para seis horas. Pag. 54.
Em geral, os choques da velha sociedade favoreceram de diversas maneiras o desenvolvimento do proletariado. A burguesia vive em luta continua; no inicio, contra a aristocracia; depois, contra as partes da própria burguesia cujos interesses entram em conflito com os progressos da indústria; e sempre contra a burguesia dos países estrangeiros. Em todas essas lutas, vê-se obrigados a apelar para o proletariado, a solicitar seu auxilio e arrasta-lo assim para o movimento politico. A burguesia mesma, portanto, fornece ao proletariado os elementos de sua própria educação, isto é, armas contra si mesma. A educação referida acima se refere a elementos de sua própria educação politica e geral. Pag. 54 e 55.
Além do mais, como já vimos, com o progresso da indústria, frações inteiras da classe dominante são lançadas no proletariado, ou pelo menos ameaçadas em suas condições de existência. Também elas fornecem ao proletariado uma massa de elementos de educação. Essa educação refere-se a elementos de instrução e de progresso. Refere-se ao empobrecimento de setores da burguesia, provocado pelas crises constantes do capitalismo. Pag. 55.
Finalmente, nos períodos em que a luta de classes se aproxima da hora decisiva, o processo de dissolução da classe dominante, de toda a velha sociedade, adquire um caráter tão violento e agudo que uma pequena parte da classe dominante se desliga dela e se junta à classe revolucionaria, à classe que traz o futuro nas mãos. Portanto, assim como outrora uma parte da nobreza passou-se para a burguesia , hoje uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram alcançar uma compreensão teórica do movimento histórico em seu conjunto. Pag. 55.
De todas as classes que hoje se opõem à burguesia, apenas o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionaria. As demais classes vão-se arruinando e por fim desaparecem com a grande indústria; o proletariado é o seu produto mais autêntico. Pag. 55.
As camadas médias, o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês, combatem a burguesia para salvar da ruina sua própria existência como camadas médias. Não são portanto revolucionarias, mas conservadoras. Mais ainda, são reacionárias, pois procuram fazer retroceder a roda da história. Quando se tornam revolucionarias, é em consequência de sua iminente passagem para o proletariado; defendem então seus interesses presentes, abandonando seu próprio ponto de vista pelo do proletariado. Refere-se a atual classe média que, em determinado momento de crise, se alia ao operário e em outro, os traem, como o que acontece com a crise atual aqui no Brasil. Pag. 55.
O Lumpemproletariado, setor do operariado inapto para exercer trabalho regular, essa putrefação passiva dos estratos mais baixos da velha sociedade, pode, aqui e ali, ser arrastado ao movimento por uma revolução proletária; no entanto, suas condições de existência o predispõem bem mais a se deixar comprar por tramas reacionárias. Refere-se às miseráveis que não tem as condições mínimas de sobrevivência e, que, portanto, são levados por interesse mesquinhos e imediatos. Pag. 55.
As condições de existência da velha sociedade já estão anuladas nas condições de existência do proletariado. O proletário é sem propriedade; suas relações com a mulher e os filhos nada têm de comum com as relações familiares burguesas; o moderno trabalho industrial, a moderna subjugação ao capital – idêntica na Inglaterra e na França, na América e na Alemanha -, despojou-o de todo caráter nacional. As Leis, a moral, a religião são para ele meros preconceitos burgueses, por detrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses. Pag. 56.
Todas as classes que no passado conquistaram o poder procuraram consolidar a posição já adquirida submetendo toda a sociedade às suas condições de apropriação. Os proletários não podem se apoderar das forças produtivas sociais a não ser suprimindo o modo de apropriação a elas correspondente e, com isso, todo modo de apropriação existente até hoje. Os proletários nada têm de seu para salvaguardar; têm para destruir toda a segurança privada e todas as garantias privadas até aqui existentes. Por não possuir nada de palpável, cabe ao operário destruir o sistema capitalista e criar um mais humano, onde todos, sejam iguais. Pag. 56. 
Todos os movimentos precedentes foram movimentos de minorias ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria no interesse da imensa maioria. O proletariado, estrato inferior da atual sociedade, não pode erguer-se, pôr-se de pé, sem que salte pelos ares toda a superestrutura dos estratos que constituem a sociedade oficial. Obviamente, que, para sobreviver e dominar, a classe burguesa capitalista, cria os antagonismos de dominação, no caso, a superestrutura de dominação, ou seja, o modo todo seu de dinamizar as suas ideias.  Pag. 56.
Não por seu conteúdo mas por sua forma, a luta do proletariado contra a burguesia é, num primeiro tempo, uma luta nacional. O proletariado de cada país deve evidentemente acabar, antes de mais nada, com sua própria burguesia. Pag. 56.
Esboçando as fases mais gerais do desenvolvimento do proletariado, seguimos a guerra civil mais ou menos oculta dentro da sociedade atual, até o momento em que ela explode numa revolução aberta e o proletariado funda sua dominação com a derrubada violenta da burguesia. Pag. 56.
Toda sociedade até aqui existente repousou, como vimos, no antagonismo entre classes de opressores e classes de oprimidos. Mas, para que uma classe possa ser oprimida, é preciso que lhe sejam asseguradas condições nas quais possa ao menos dar continuidade à sua existência servil. O servo, durante a servidão, conseguiu tornar-se membro da comuna, assim como o burguês embrionário, sob o do absolutismo feudal, conseguiu tornar-se burguês. O operário moderno, ao contrario, ao invés de se elevar com o progresso da indústria, desce cada vez mais, caindo inclusive abaixo das condições de existência de sua própria classe. O operário torna-se um pobre e o pauperismo cresce ainda mais rapidamente do que a população e a riqueza. Fica assim evidente que a burguesia é incapaz de continuar por muito mais tempo sendo a classe dominante da sociedade e de impor à sociedade, como lei reguladora, as condições de existência de sua própria classe. É incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar a existência de seu escravo em sua escravidão, porque é obrigada a deixa-lo cair numa situação em que deve alimentá-lo ao invés de ser por ele alimentada. A sociedade não pode mais existir sob sua dominação, quer dizer, a existência da burguesia não é mais compatível com a sociedade. Pag. 56 e 57.
A condição mais essencial para a existência e a dominação da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos de particulares, a formação e o aumento do capital; a condição do capital é o trabalho assalariado. O trabalho assalariado baseia-se exclusivamente na concorrência dos operários entre si. O progresso da indústria, cujo agente involuntário e passivo é a própria burguesia, substitui o isolamento dos operários, resultante da concorrência, por sua união revolucionária resultante da associação. Assim, o desenvolvimento da grande indústria abala sob os pés da burguesia a própria base sobre a qual ela produz e se apropria dos produtos, A burguesia produz, acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis. Pag. 57.



   




sexta-feira, 15 de abril de 2016

-É TEMPO DE LUTAS E DE LUTO!


por Jeorge Cardozo

Deus é o soberano que tudo ilumina e, na posição de protetor de todos, olhe para o nosso Brasil neste momento, sugere que é chegada a hora de dizermos não ao golpe da direita fascista jogarmos claramente que não queremos ela, a corrupção, mas, também, não queremos o Temer e sua gangue no governo, se é pra mudar, que venha com novas eleições limpas e sem golpe e agirmos com o máximo de confiança possível a cerca do que queremos de fato. A luz afugenta a escuridão e tudo é visto da forma mais transparente, honesta e franca possível. Obviamente, muito do que aparece nem sempre é de todo agradável, mas ao menos você estará lidando com tudo de uma forma justa e, a partir de uma visão clara, povo brasileiro, o que por si só já é uma prerrogativa de sucesso. A postura mais adequada ao momento é a direta e franca: NÃO AO GOLPE FASCISTA, NÃO AO TEMER E SUA GANGUE E ELEIÇÕES JÁ.Tenha confiança no seu taco pois, a partir desta confiança, tudo fluirá a contento!

quarta-feira, 30 de março de 2016

-A VERDADEIRA GANGUE DE LADRÕES ESTÃO PRONTAS PARA LAPIDAR BRASÍLIA.


É fato, o que se ver na história atual brasileira. De um lado, a gangue do PMDB que, ao longo da sua história, virou o partido dos cargos públicos (pra não dizer dos cofres públicos), de outro, o famigerado e incompetente PSDB que, durante os oito anos em que esteve no poder, se especializou em entregar as nossas riquezas as gangues estrangeira, roubar e levar a sujeira para em baixo do tapete. De outro lado, um bando de falso moralistas que, vão as ruas pedi moralidade e prisão de Lula e Dilma, e do outro, apoiam todos esses marginais transvestidos de políticos, ou seja, os verdadeiros ladrões e chantagistas que, para fazer o que já são pago pelo cofres públicos, chantageiam os governantes por cargo ou dinheiro escusos, para financiaram suas ricas campanhas e gastarem no exterior, numa verdeira farra de picaretas se dizendo representantes do povo. O povo, esse semovente, descaraterizado da sua cidadania, alimenta com seus votos vendidos ou trocados por favores escusos toda essa fanfarra. Destarte, está esses 6 milhões de brasileiros que vão as ruas com suas bandeiras protestar contra o que, não se sabe. Dizem que é contra a corrupção... KKKKK santa cara de pau... Não passa de um bando de falso moralistas que dão apoio a políticos como Bolsanaro, Cunha, Paulinho, Aécio, Caiado, Alckmin, Serra e etc, etc, etc... "Brasil, mostra a tua cara que eu quero ver quem paga pra tu tá assim. Brasil, qual o teu negócio, o nome do teu sócio (América), não confiem em ninguém que se diz Falso crente" KKKKKKK (Grifo nosso).

sábado, 26 de março de 2016

-NADA DE NOVO NO AR!

por Jeorge Cardozo

Pelo caminhar, aqui em Conceição do Almeida, nada de novo. Com a exceção do que dizem por aí que o vereador Dílson será vice do pré candidato Ito, tudo continuará como estas. Digo isso, porque ainda que o vereador seja o "novo", não mim parece que as novas ideias e praticas sejam novas.
Dentro de uma perspectiva onde nada se cria na política, tudo se copia da pior forma, não deslumbra novos atores (atrizes) capazes de trazer algo de novo para a mesmice local. Os irmãos Carvalhos até que retoricamente falam numa suposta terceira via, o grande problema é achar pessoas ou grupo capazes de fazerem essas discussões. Espera-se dos Almeida mas, no entanto, não o fazem essa discussão e se limitam a apoiar um ou outro candidato e garantir os seus status quo de mandato de vereador ou de cargos. Adamais, ficam refém dos dois grupos políticos tradicionais que, a priori ou posteriori, só estão preocupados com o poder local mais, não trazem nada de novo para o grande e pobre município e aí, fica sua gente, esperando chegar os pleitos eleitorais para ganhar os seus pitulekos e barganhar os seus míseros votos e enterrar o município por mais quatro anos e abrirem a boca para dizer que todos os políticos são ladrões, como se quem vende ou troca voto não o fosse também.
Esperava-se muito do atual prefeito, pois, esse se diz não ser político profissional e que iria trabalhar para o desenvolvimento do município, mas, no entanto, demorou para agir e agora tenta a reeleição. Se ele, Armando, conseguir manter o grupo que o elegeu, pelos menos terá gente e um pouco de dinheiro, como bem dizem eles, de que, quem tem dinheiro ganha eleição no município pequeno, ignorante e sem circulação de renda, é esperar pra ver.

terça-feira, 15 de março de 2016

-Na política, mesmo os crentes precisam ser ateus

Na política, mesmo os crentes precisam ser ateus
O momento do Brasil, culminando com as manifestações de 13 de março, mostra os riscos de uma adesão pela fé: é preciso resistir pela razão
Não se constrói um projeto político com crentes. Mas a angústia, no Brasil de hoje, se dá também pela vontade de acreditar que algo é verdadeiro num cotidiano marcado por falsificações. O perigo é que, quando o roteiro dos dias parece ter sido escrito por marqueteiros, não cabe razão nesse acreditar. Exige-se fé. Quando a política demanda adesão pela fé, é preciso ter muito cuidado. Os partidos que estão aí, puxando para um ou outro credo, podem acreditar que lhes é favorável ter uma população de crentes legitimando seus projetos de poder. Mas a adoração, rapidamente, pode se deslocar para outro lugar, como alguns já devem ter começado a perceber depois das manifestações do domingo, 13 de março. Ou pior, para um ídolo de barro qualquer. Rebaixar a política nunca é uma boa ideia para o futuro. Quem acha que controla crentes, com suas espirais de amor e de ódio, não aprendeu com a história nem entende o demasiado humano das massas que gritam.
Há uma enorme descrença nos políticos e nos partidos tradicionais, este já é um lugar comum. Mas é importante perceber que a esta descrença se contrapõe não mais razão, mas uma vontade feroz de crença. Quando os dias, as vozes e as imagens soam falsas, e a isso ainda se soma um cotidiano corroído, há que se agarrar em algo. Quando se elege um culpado, um que simboliza todo o mal, também se elege um salvador, um que simboliza todo o bem. A adesão pela fé manifeste-se ela pelo ódio ou pelo amor, elimina complexidade e nuances, reduz tudo a uma luta do bem contra o mal. E isso, que me parece ser o que o Brasil vive hoje, pode ser perigoso. Não só para uma ditadura, como é o medo de alguns, mas para que se instale uma democracia de fachada, como já vivemos em alguns aspectos.
Uma democracia demanda cidadãos autônomos, adultos emancipados, capazes de se responsabilizar pelas suas escolhas e se mover pela razão. O que se vê hoje é uma vontade de destruição que atravessa a sociedade e assinala mesmo pequenos atos do cotidiano. O linchamento, que marca a história do país e a perpassa, é um ato de fé. Não passa pela lei nem pela razão. Ao contrário, elimina-as, ao substituí-las pelo ódio. É o ódio que justifica a destruição daquele que naquele momento encarna o mal. Isso está sendo exercido no Brasil atual não apenas na guerra das redes sociais, mas de formas bem mais sofisticadas. Isso tem sido estimulado. Quem acha que controla linchadores, não sabe nada.
Talvez o mais importante, neste momento tão delicado, seja resistir. Resistir a aderir pela fé ao que pertence ao mundo da política. Fincar-se na razão, no pensamento, no conhecimento que se revela pelo exercício persistente da dúvida. É mais difícil, é mais lento, é menos certo e sem garantias. Mas é o que pode permitir a construção de um projeto para o Brasil que não seja o da destruição. Quem sofre primeiro e sofre mais com a dissolução em curso são os mais pobres e os mais frágeis. É preciso resistir também como um imperativo ético.
Na política, mesmo os crentes precisam ser ateus.
Mas nunca, desde a redemocratização, pelo menos, foi tão difícil vencer esse paradoxo: à enorme descrença se contrapõe uma enorme vontade de crença. Uma vontade desesperada de fé. E isso vale para todos os lados.
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Seria bom se a gente pudesse acreditar que as centenas de milhares que foram às ruas neste domingo querem o fim da corrupção no Brasil. A beleza de um país unido contra aquilo que o arrasta para o esgoto é uma imagem forte, poderosa. Mas a massa verde-amarela, vista de perto, delata a si mesma. Quem quer o fim da corrupção no Brasil não levanta bonecos de Lula (PT) e de Dilma (PT) e esquece todos os outros que não pertencem ao partido que quer arrancar do Governo. Quem quer o fim da corrupção no Brasil jamais teria negociado comEduardo Cunha (PMDB), como lideranças que organizaram as manifestações negociaram há pouco tempo atrás. Nem usa camiseta da CBF, mais corrupta impossível. Nem tira selfies com uma polícia que sistematicamente viola a lei.
A cara do Mercado, a outra face da Lava Jato, não estava nas ruas como ré, apesar dos expoentes do empresariado nacional na prisão
A corrupção é uma bandeira conveniente para quem nada quer mudar mas precisa fazer de conta que quer. Ela sempre cabe, porque, ao mesmo tempo que é consenso – ou alguém vai se declarar a favor da corrupção? –, é difusa. Elege-se os corruptos a destruir, que viram bonecos, rostos a ser eliminados. E nada se muda da estrutura que provoca as desigualdades e permite a corrupção de fundo. É interessante perceber, quando não se adere pela fé, que os alvos nas ruas são os políticos – majoritariamente Lula e Dilma, contra quem até agora nada foi ainda provado. Há indícios, há delações, há investigações em curso. Mas nada ainda foi provado. Mas o que importam os fatos quando o que vale é a propaganda? O que importa a verdade quando a demanda é por crença?
O rosto dos corruptos nas ruas, aqueles que simbolizam a corrupção que se diz combater, é o rosto de governantes, um ex-presidente e sua sucessora. É um único partido, quando há vários outros envolvidos. Os alvos nas ruas são aqueles identificados com o Estado. Não há bonecos de expoentes do empresariado nacional, alguns deles já presos, julgados e condenados. As entidades de classe empresarial que conclamaram seus associados à adesão aos protestos deste domingo não bradaram contra seus pares na prisão. A cara do Mercado, a outra face dessa história, não está as ruas como ré, apesar de também ser protagonista do esquema que está sendo desvendado pela Operação Lava Jato.
E por que não está? Para entender um quadro por completo, tão importante quanto ver quem está é perceber quem não está.
Não há como afirmar o que cada um que foi às ruas deseja, qual foi a insatisfação que o levou até ali. São muitas as paixões – e o espaço público pertence a todas elas. Mas é importante observar que o senador Aécio Neves e o governadorGeraldo Alckmin, dois dos presidenciáveis do PSDB, entraram na Avenida Paulista alegremente e saíram dela hostilizados, o que talvez lhes ensine alguma coisa. Quem foi ovacionado aos gritos de “Mito! Mito! Mito!”, ao participar da manifestação em Brasília, foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), expoente nacional da direita caricata, que odeia gays e adora armas. E, acima de todos, como ícone positivo e salvador da Pátria, a figura onipresente do juiz Sérgio Moro, em cartazes e camisetas. A mais notória delas em inglês: “In Moro we trust” (Em Moro, nós confiamos). Ela parodia o lema dos Estados Unidos estampado nas notas do dólar: “In God we trust” (Em Deus, nós confiamos).
É importante escutar o discurso dos líderes dos movimentos que organizaram os protestos, assim como perceber com que partidos se aliam em suas aspirações políticas. A parte final do artigo escrito pelo coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre) e colunista da Folha de S. Paulo, Kim Kataguiri, é particularmente reveladora, ao fazer uma analogia entre o momento atual e a série de TV Power Rangers, para conclamar os brasileiros a comparecer à manifestação: “Com seis anos, eu lutava contra monstros que eram derrotados e voltavam gigantes. Lula, depois de ter sido derrotado no mensalão, voltou ainda maior no petrolão. Os Rangers uniam-se e fundiam seus veículos para compor o robô gigante. Precisamos de algumas centenas de milhares de brasileiros para montar o nosso”. Deve acreditar ter conseguido “montar” seu “robô gigante” nos protestos de domingo.
Escutando as lideranças dos protestos pelo impeachment da presidente com atenção é fácil perceber que este novo é velho. Tão velho quanto a rasteira luta do bem contra o mal.
Seria bom acreditar que a massa verde-amarela nas ruas quisesse de fato o fim da corrupção no Brasil. Pela razão, não é possível acreditar. Pela crença, sim.
PSDB e PMDB se assemelham a urubus que, ao acreditar que comem carniça, não percebem que devoram junto suas próprias garras
Seria bom se a gente pudesse acreditar que a oposição ao Governo e ao PT tivesse um projeto para o país que não fosse apenas um projeto de ocupação e loteamento do poder. Ou de manutenção do poder, caso do PMDB, partido que hoje comanda seis ministérios e a vice-presidência da República. É preciso muita fé para acreditar nisso depois do jantar de 9 de março entre líderes do PSDB e do PMDB, em Brasília. Entre eles Aécio Neves e José Serra, dois dos presidenciáveis do PSDB, reunidos com, entre outros, o peemedebista Renan Calheiros, presidente do Senado e alvo de seis inquéritos na Lava Jato. Na semana passada, a abertura de um sétimo inquérito foi pedida ao Supremo Tribunal Federal.
Presidenciáveis do PSDB negociando com Renan Calheiros, aquele que apenas horas antes havia entregue a Lula um exemplar da Constituição, testando até que ponto se pode manipular as imagens, aprofundar o escárnio e debochar da lei. PMDB e PSDB, juntos, debatendo sobre a partilha do poder depois da queda de Dilma Rousseff e do PT. Ou sobre como dividir os despojos daqueles cuja morte já decretaram. Jantando o Governo e o PT e apertando as mãos na sobremesa, certos de que o futuro é deles, como já foi o passado. É só com muita fé para acreditar que essa imagem de butim seria o melhor para o país. Ou que representaria o fim da corrupção. No sábado, três dias depois deste jantar e na véspera das manifestações, o PMDB decidiu dar um “aviso prévio” à presidente Dilma Rousseff e ao PT, anunciando que deve desembarcar do Governo para não sair do poder.
Na “condução coercitiva” de Lula, o juiz Sérgio Moro promoveu o linchamento simbólico, estimulou a vontade de vingança que atravessa a sociedade brasileira – e não a lei
Seria fundamental uma oposição forte e responsável ao Governo. Sempre é para uma democracia funcionar. Mas, entre os grandes partidos, não se ouviu uma única voz capaz de superar suas paixões pessoais e liderar com razão e responsabilidade. O que se viu foram mercadores desonestos, carniceiros. Urubus que, ao acreditar que comem carniça, não percebem que devoram junto suas próprias garras.
Seria bom se a gente pudesse acreditar que o juiz Sérgio Moro tivesse de fato convicção que a “condução coercitiva” de Lula não só cumpria os requisitos da lei como evitaria confrontos, como afirmou em nota pública. E, mais ainda, que “cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-presidente”. Que tipo de candura seria necessária a Moro e também aos procuradores do Ministério Público Federal para não imaginarem que, para o Brasil, o que viraria verdade é que Lula foi preso diante das câmeras? E que isso, por si só, já julgaria e condenaria o ex-presidente sem julgamento nem condenação? Que tipo de inocência seria necessária a Moro e a seus pares para não perceber que “condução coercitiva”, termo que não faz parte do vocabulário da população nem é de fácil apreensão, seria sinônimo de prisão? E que o espetáculo, com forte aparato policial, como se Lula fosse o próprio Al Capone, seria decodificado como a prisão de Lula? Espetáculo, é importante sublinhar, para o qual uma parte da imprensa foi convidada para garantir a produção e a difusão da imagem de forte poder simbólico.
É preciso que estes homens da lei (?) sejam ingênuos, o que também não é uma boa característica para a profissão. Ou, o que é mais fácil de mobilizar, como se viu: é preciso de fé. Da nossa fé.
O que aconteceu naquela sexta-feira feira, 4 de março, em que Lula foi tirado de casa por policiais federais e levado para o Aeroporto de Congonhas, foi grave. Muito grave. O juiz e os procuradores deveriam ser os primeiros a querer evitar de todos os modos essa simbologia. A imagem de Lula preso, para o Brasil inteiro, não mostra que a lei vale inclusive para ícones populares e ex-presidentes. Mas que a lei também não vale para ícones populares e ex-presidentes. Que o abuso e a violação de direitos, cuja maior representação são os milhares de presos sem julgamento atirados em penitenciárias medievais, assim como os negros humilhados pelas polícias nas periferias, são a regra para todos – ou quase todos.
O que o juiz e os procuradores estimularam nesta cena foi a vontade de linchamento. Porque levar alguém para depor dessa maneira, produzir esse tipo de imagem, também é um tipo de linchamento. E foram aplaudidos por parte da população por isso, porque atenderam à sanha, legitimaram a vontade de vingança ao dar-lhe roupagens de lei. Quando o rito da lei é substituído pela vingança, e essa substituição é permitida por quem é um agente da lei, é muito grave. É exatamente em períodos tão delicados da história que a lei precisa ser interpretada de forma mais conservadora. E seus agentes precisam ter a grandeza de abrir mão das vaidades pessoais e reprimir as paixões que também os habitam.
Os promotores de São Paulo foram usados como “bois de piranha”. E como sangraram
Sérgio Moro e os procuradores, assim como os policiais federais, não são heróis nem vingadores. São funcionários públicos. E é como funcionários públicos que precisam se comportar se quiserem estar à altura do cargo. Deles só se espera que façam bem – e discretamente – o seu trabalho.
E o que dizer dos promotores do Ministério Público de São Paulo, pedindo a prisão de Lula a três dias da manifestação de domingo? E sem nenhuma justificativa razoável, para além das confusões “filosóficas” que viraram piada nas redes sociais, quando, entre outras bobagens, confundiram Hegel com Engels? Importa perceber que a manchete, com foto, foi garantida: “MP de São Paulo pede a prisão de Lula”. E a manchete é mais forte do que os editoriais e as matérias internas. Qual é a verdade que se fabrica ali, e que tem sido repetida em cada esquina do país? Lula é culpado.
Mas até ser julgado e condenado, Lula não é culpado. Ou a lei não vale. E, atenção: se a lei não vale para Lula, também não vale para você ou eu.
É interessante perceber ainda que os promotores de São Paulo, chamados publicamente por alguns de “os três patetas”, obtiveram unanimidade num momento em que a unanimidade parecia impossível. O pedido de prisão de Lula foi condenado por todos os lados. Mas, pela razão, vale a pena duvidar um pouco dessa unanimidade. O estrago de um pedido de prisão nas manchetes já estava feito, o serviço já tinha sido cumprido. Talvez seja apenas esperteza condenar os agentes menos importantes. Não apenas para dar aparência de isenção, mas principalmente para salvar a imagem dos que realmente importam, que são os agentes da Lava Jato. Este pode ser um daqueles casos em que aqueles que se julgavam espertos, ao aproveitar o momento nacional em busca de glória, encontraram espertos ainda mais espertos. De imediato, “os três patetas” viraram bois de piranha nas redes sociais. E como sangraram.
Quando a justiça invade o espaço da política – e a política demanda adesão pela crença, em vez de pela razão, o risco é grande. O que aqueles que demandam fé não percebem é que o risco é grande para todos.
Seria bom acreditar que Lula, que personificou o principal projeto da esquerda na redemocratização do país, que de fato encarnou uma mudança histórica no Brasil ao ser o primeiro operário a se tornar presidente, é apenas um perseguido. Seria tudo mais fácil se assim fosse. Mas só com fé. Pela razão não dá.
Hoje, Lula é simbolicamente linchado também por parte daqueles cuja vida seu governo mudou radicalmente para melhor
Acossado, Lula fez o que melhor sabe fazer, aquilo que o tornou um dos presidentes mais populares da história. Lula foi Lula, o Lula que fala a linguagem do povo porque compreende o povo como poucos. E, por um momento, a maioria dos que um dia acreditaram, porque havia o que acreditar, foram tentados, fortemente tentados, a voltar a acreditar. Porque é tão mais fácil acreditar. Mas a estranheza, a estranheza que vem pelo pensamento, foi se imiscuindo. Mesmo quando empurrada para baixo, ela teima em subir à superfície. E, aos poucos, torna-se claro: Lula estava encenando Lula.
Ou melhor: o Lula atual estava encenando o Lula de antes. Porque o Lula de antes já não existe, nem poderia, já que qualquer pessoa é mudada pelas suas experiências. E Lula, mais do que a maioria, circulou por muitos mundos novos desde que se tornou presidente, e mesmo antes. Assim, o discurso virou farsa. Não fraude, mas farsa. E mesmo o que havia de verdade, porque obviamente ainda existe o Lula no Lula, revelou-se como falseamento quando visto pelas lentes da razão, do pensamento que alcança o conhecimento pela via da dúvida.
É um fato que o governo de Lula incluiu dezenas de milhões de brasileiros e melhorou a vida de todos. É um fato que a miséria e a fome diminuíram significativamente no seu governo. É um fato que o Brasil mudou – e mudou para melhor com Lula. E isso não é pouco, mas não é mesmo. Isso é enorme.
O “nunca antes neste país”, usado por ele e satirizado pelos adversários, é um fato em vários setores. Mas não é por isso que ele está sendo investigado. Mas sim pelo que também pode ter de fato feito. Pelo que há indícios de que tenha feito. Assim como outros membros do PT já foram julgados, condenados e presos pelo que de fato fizeram. Isso não é perseguição, isso é justiça. Buscar confundir, deliberadamente, uma coisa com outra, demanda fé. E má fé.
Para acreditar no discurso de Lula é preciso crer como um crente. E não é de hoje que Lula exorta seus eleitores a esse tipo de crença. Lula como presidente cultivou uma mística, a mística do pai. E, assim, reduziu eleitores a filhos – em vez de cidadãos. Em vez de estimular emancipação e autonomia, demandou obediência. Em vez de mostrar que políticas públicas são direitos, apresentou-as como bondades. Filhos que adoram não perdoam fraturas na imagem do pai. A paixão, que é um tipo de fé, em determinadas condições vira ódio. Lula arriscou-se quando se permitiu ser adorado – e gozar com isso. Assim como não se controla linchadores, também não se controla adoradores.
Hoje Lula é linchado simbolicamente por muitos que o veneravam, inclusive por parte daqueles que melhoraram sua vida radicalmente durante o seu Governo. Para estes, ele era um objeto antes, segue sendo um objeto agora. Apenas que antes movia paixão, e agora ódio.
Lula, que compreendeu o Brasil e os brasileiros como poucos, em qualquer tempo, perdeu um capítulo. E não qualquer capítulo, mas um fundamental: Lula ainda não compreendeu as manifestações de junho de 2013.
Ao lançar Dilma Rousseff como sua sucessora, Lula já tinha sido tomado por um delírio de onipotência, já era ele mesmo um crente de si mesmo. E poucas coisas são mais perigosas para uma pessoa pública do que isso. Ao partido, só cabia obedecer. Lula elegeu Dilma e a reelegeu, mas a que preço. Também tentou lançá-la como a “mãe dos pobres” e a “mãe do PAC”. Mas Dilma jamais teve essa vocação. Entre todas as mentiras apresentadas como verdades nessa realidade em que um Eduardo Cunha é o presidente da Câmara e um Renan Calheiros é presidente do Senado e um Michel Temer é vice-presidente do país, talvez seja Dilma justamente quem traga um pouco de honestidade pessoal ao enredo. É ela, a tão claramente atrapalhada, a tão claramente incompetente, a tão claramente irascível, que acaba, involuntariamente, revelando-se em atos falhos sem fim. Como no mais recente, em que negou que estivesse cogitando uma renúncia dizendo: “Eu me renuncio...”.
Recusar a polarização, não aderir a um lado nem ao outro, não é ficar em cima do muro: ao contrário, é posição
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Quando o cenário desmorona e a vida é corroída no cotidiano, a vontade de acreditar aumenta. Quanto maior o falseamento e mais frágeis as verdades, maior a vontade de crença. Entre as crenças que talvez uma parte da esquerda esteja tentada a embarcar está a de que este é um momento de estar em um lado ou em outro lado. Havia pelo menos uma condição que na ditadura era mais fácil, a de que ou se estava contra ela ou a favor. Era muito fácil saber quem eram os inimigos – e os que não eram inimigos eram amigos. A democracia complica as coisas ao aumentar as nuances. Apesar de muito mais difícil, é bem melhor que as coisas sejam vistas como de fato são: complexas. Nostalgias do preto e branco podem ser perigosas, mais ainda num cérebro com vontade de crença.
Posso estar equivocada, errar é um risco de quem se arrisca a pensar. Mas recuso – e recuso pelo pensamento – a polarização. Há muitos, nos quais me incluo, que não estão nem cá nem lá. E, ao contrário do que dizem uns e outros, também não estão em cima do muro. Há posição e há posicionamento forte para além da polarização. Já afirmei, mais de uma vez neste espaço, que, no meu modo de ver, a alegada polarização é mais uma falsificação entre tantas neste momento conturbado do país. O problema de Lula e do PT é muito mais quem não está nas ruas contra eles, mas também já não estaria a favor. Este recusar um lado e outro é ativo, é posição.
Repudio o que Sérgio Moro e seus pares fizeram com Lula não por ele ser ex-presidente, mas porque sempre denunciei o abuso de policiais e de outros agentes da lei como prática de sua atuação junto às populações mais pobres e desamparadas das periferias, do campo e da floresta. Incluindo nesta denúncia todas as prisões ilegais feitas nos protestos de 2013 pela tarifa zero, nos de 2014 contra as remoções promovidas em nome da Copa do Mundo e nos de 2015 contra a “reorganização escolar” feita por Geraldo Alckmin. Reconheço o que os governos Lula-Dilma fizeram no combate à miséria e na ascensão social de milhões. Assim como reconheço seu protagonismo no tema das cotas raciais e na ampliação do acesso à universidade, entre outros temas de fundamental relevância.
Mas repudio a violação escandalosa de direitos em grandes obras na Amazônia, como Belo Monte. Se o esquema de corrupção revelado nas delações da Lava Jato for comprovado, é apenas uma das pontas. A violência promovida pela Norte Energia e pelo Governo federal, duas esferas que seguidamente se misturavam, é bem documentada há anos. Assim como repudio o desrespeito aos direitos indígenas e o sumiço da reforma agrária da pauta.
Lamento a falta de investimento em saneamento básico, uma das principais razões da expansão do Aedes aegypti e sua coleção de doenças. Assim como o investimento insuficiente em educação, principal instrumento da emancipação de um povo, para muito além do acesso a bens de consumo. Também lamento uma visão medíocre de cidade e de cidadania. E abomino a cegueira socioambiental deste Governo, mais criminosa ainda por vivermos em tempos de mudança climática.
Quando Lula e o PT reclamam dos abusos de Sérgio Moro, dos procuradores e da Polícia Federal, têm razão em alguns casos, como o da “condução coercitiva”. Mas a razão que têm não faz desaparecer o fato de que este Governo colocou a Força Nacional a serviço da Norte Energia – e das empreiteiras – na ocupação do canteiro de Belo Monte por indígenas, ribeirinhos e movimentos sociais de Altamira, no Xingu, assim como na repressão aos Munduruku, que protestavam contra a construção de hidrelétricas no rio Tapajós. Nem faz desaparecer o quanto este Governo compactuou com a repressão e a prisão de manifestantes na Copa do Mundo de 2014. Muito menos faz desaparecer a abominação da lei antiterrorismo, de iniciativa deste Governo, que está na mesa de Dilma Rousseff para ser sancionada.
Neste momento histórico, a esperança é um luxo: é preciso construir um novo projeto por imperativo ético
Aponto as contradições dos governos Lula-Dilma desde muito antes de a The Economist publicar uma capa do Cristo Redentor decolando como um foguete (e depois outra com o mesmo Cristo afundando após um voo curto). Ou de a Newsweek chamar a presidente de “Dilma Dinamite”, avisando: “Não mexa com Dilma”. Já criticava Dilma Rousseff quando setores que hoje a lincham a exaltavam. Concordo com oantropólogo Eduardo Viveiros de Castro quando ele diz que “Dilma é um fóssil”. Minha avaliação é de que ela tem uma cabeça cimentada no século 20 e não consegue compreender nenhum dos grandes debates que vieram depois. Considero Dilma Rousseff um desastre pela sua miopia sobre os grandes temas do Brasil e do mundo.
Ainda assim, enquanto não houver provas de que a presidente cometeu ilegalidades, não me parece possível apoiar seu impeachment. Respeito o voto da maioria, mesmo quando não concordo com ele. Ser cidadão é ser adulto – e ser adulto é responsabilizar-se pelo seu voto e lutar pelo respeito ao voto do outro. Se as provas aparecerem, e só assim, esse processo pode ganhar legitimidade e então apoio.
Jamais estaria ao lado dos que promoveram as manifestações de 13 de março. Conheço esses protagonistas de outras décadas. O figurino de novidade não cobre o mofo de quem sempre esteve no mesmo lugar. O que representam nunca saiu do poder no Brasil. E, quando escutados com atenção, é possível ouvir o som de fundo: tudo o que querem é manter seus privilégios intactos. Não será com a minha fé.
Setores do PT traíram um projeto que não pertencia apenas a eles, mas a pelo menos duas gerações de esquerda. É preciso construir outro, por outros caminhos, que passa por tudo o que se aprendeu com 2013. Neste momento histórico, o que sabemos fazer já não é suficiente. É preciso encontrar uma outra forma de fazer. Tudo o que importa está paralisado por essa falsa polarização. É preciso se mover e fazer o que importa. No cotidiano, dia após dia. Esta não pode se tornar uma democracia de fachada. Como já escrevi, não porque temos esperança. Neste momento histórico, a esperança é um luxo, um supérfluo. É preciso fazer por imperativo ético.
Diante da necessidade de se construir um novo projeto para o país, me parece necessário resistir à vontade de crença. Prefiro ser ateísta também na política.
Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email:elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum


domingo, 13 de março de 2016

-JOVENS, TRABALHADORES (AS) A LUTA CONTINUA!

Por Jeorge Cardozo e Damião Cardoso*

A Rede Globo, Bandeirante, Record, Tucanato, Democratas, falsos Socialistas PSB, PPS, Pelegos Sindical Paulinho da Força e o seu famigerado Solidariedade, grande parte dos moscas de gabinetes e cargos públicos PMDB, Setores Conservadores da Igreja Protestante,  parte da Classe Média traidora, parte do Judiciário, da Polícia Federal a serviço do capital e da direita elitista e golpista estão dando um recado bem claro ao trabalhador e a juventude pobre brasileira.

Nesse país, pobre é pobre e rico é rico. Quem tentar mudar essa ordem, que de natural não tem nada, das coisas é inimigo deles (veja o caso de Lula e do PT que, ao dar o mínimo necessário para que a classe C, D e E exercesse a sua cidadania de morar, comer, estudar e andar de carro, moto e até avião ao invés de Jegue ou bicicleta como era antes do PT, para atrair aira da elite).

Eu não duvido dos erros de parte do PT. O que eu duvido é de um sistema que ignora os erros da elite (PSDB, DEMOS, FHC, Aécio Alkmin e etc.) e persegue violentamente os supostos erros de quem veio de baixo. Quem sobe tem que voltar para baixo. Essa é alei da elite capitalista burguesa.

E digo mais: nossa classe-média-alta não vai conseguir o que querem. Já temos uma geração inteira de jovens, trabalhadores e mulheres pobres nas universidades e conscientes de onde vieram e aonde chegaram (espero), por conta dosa programas de inclusão do PT. Esses jovens sabem o que o tucanato/Demos e seus aliados, representantes maiores dos brancos de classe-média-alta-racistas-e-elitistas-no- Brasil, é contra um país plural e verdadeiramente miscigenado.

Precisamos lutar, não pela absolvição de quem errou de fato, mas pela manutenção desse ideal de progresso permanente dos mais pobres.

Não se enganem. Se a luta política da polícia Federal fosse por justiça, não haveria seletividade. Gente como FHC, Aécio, Paulinho da Força, todos os líderes do partido Democratas, PMDB, PSB e etc. estariam todos atrás das grades. Se a luta política da mídia golpista fosse por justiça, você, tucodemos elitista e golpista, estariam falando mal de FHC e do Aécio (maconheiro e mal exemplo para a juventude na sua página.

Transformar o Lula em Judas é o objetivo deles. E, sinceramente, seja o lula culpado ou não, o problema do Brasil é o sistema político e a sua falsa democracia e a relação promiscua do Estado com as empresas, sustentando maus políticos. Isso afeta a maioria dos políticos e dos partidos.
Sua revolta seletiva contra o PT é o resultado de um adestramento vitorioso. Você “cidadão de bem”, foi adestrado, domesticado, ensinado a repetir um discurso, e está fazendo isso direitinho. Portanto, na vá pra rua pedi impeachment do PT e sim, dos nossos verdadeiros inimigos, que, estão todos listados acima neste texto.

Não se trata de defender ou proteger ninguém. Trata-se de abrir os olhos para entender que vivemos numa engrenagem suja, que envolve mídia elitista, grandes empresas corruptas e partidos reféns e participes de tudo. Destarte, temos uma grande camada de eleitores mal informados, que, vendem, trocam e negociam os votos, como se isso não tivesse grande preço lá na frente. Dar ao PT a sentença de culpa e responsabilidade sozinha por isso que acontece no Brasil desde sempre, é um atestado de estupidez, cinismo e cretinice, ou simplesmente um atestado de que você é convivente com a corrupção apenas quando ela é feita por seus pares.

Precisa falar francês e beber uísque e mandar a amante para Espanha. Aí pode roubar. Se for pernambucano e beber cachaça, não pode. Tem que morrer, ser extinto, preso, execrado.

Você, meus irmãos trabalhadores, jovens e mulheres negras abriram olhos para nossos verdadeiros inimigos: PSDB, DEMOS, Solidariedade, PSB, PMDB, PP, PR, PRB, PRP, PSDC, etc, etc, etc... (grifo nosso).

*Jeorge Cardozo – professor mestre em políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.
Damião Cardoso – professor esp