domingo, 22 de fevereiro de 2015

="MÃE ÁFRICA"

Por Jeorge Cardozo

De quem é os gritos que vem da Mãe África?

De quem é as lágrimas a procura de ajuda?

De quem são as crianças magricelas a vagar nos caminhos incertos da Mãe África?

Essas são as heranças do ocidente para a Mãe África:

Escravismo, guerra, terror, fome, AIDS, ebola...

O mundo “civilizado” não ver, não ouve, não ajuda,

Quem vai ouvir os gritos dos “inocentes” africanos,

Que morrem aos milhares todos os dias e noites,

E os espólios das suas riquezas são feitos por ditadores sanguinários,

Apoiados pelo ocidente,

Ouro, petróleo, minérios, natureza...

Pobre Mãe África, 

Seus filhos morrem e choram e o ocidente finge não ver!

Primeiro espoliou sua gente como escravas,

Depois pilhou as suas riquezas com o novo colonialismo,

Espalhou a violência com suas guerras propositadas,

Agora matam com suas doenças espalhadas.

Óh, pobre Mãe África que pede ajuda em silêncio,


Pois, o ocidente finge não ver.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

-SOBRE O MOVIMENTO SEM TETO ALMEIDENSE

Por Jeorge Cardozo

   A formação política, ideológica e social do individuo é inesgotável. São inúmeros os seus objetos de estudos e as possibilidades de interpretação. Por isso não existe um conhecimento da organicidade acabado ou parado no processo histórico linear alienado. Há divergências, contrapontos, formas dialéticas para entender e capacitar sujeitos comuns na formação política ideológica, na compreensão da hegemonia e contra-hegemonia, presentes nas chamadas associações com caráter eminentemente, político imediato e de interesse escuso de individuo ou de pequeno grupo. Procurar no meio do joio do trigo lideranças que tenham compromisso histórico inquestionável e ético que sintetize e defina o sentido dos movimentos sociais, o pensar e o agir dos liderados seria admitir uma história com sentido determinado, previamente conhecido pelo agir público. O movimento social é, ao contrário, o espaço do inesperado, do imprevisível.
   A interpretação dos movimentos sociais tem um forte vínculo com as questões hegemônicas e contra hegemônicas que são vividas em cada época do desenvolvimento dos modelos econômicos e das classes que as dominam. O interesse que, hoje, me faz analisar tal fato, foi à última reunião palestra organizado pelo Movimento de Sem Teto Almeidense, no último dia 06 de abril do presente ano, na Câmara Municipal local, preconizada pelo líder local do movimento, senhor Lôzo, difere com certeza daquilo que penso sobre organização social, pois, não pode haver movimento social eficaz, sem formação política e ideológica. O trabalho do líder de movimento social, a priori, é dar formação política e ideológica aos liderados para que os mesmos entendam o sentido de causa, efeito e conseqüência da causa em luta, envolvidas com as questões do seu tempo, não é um trabalho neutro, de alguém que possa julgar, imparcialmente, o que está se lutando e redefinir os caminhos da luta em questão.
   As reflexões e as análises feitas por mim neste texto sobre os movimentos sociais nos tempos modernos buscam inserir os lideres e os liderados dos movimentos sociais no contexto da discussão preocupado com a atual crise da modernidade capitalista. O nosso objetivo é contribuir para a formação política e ideológica daqueles que, de alguma forma milita ou quer militar nos movimentos sociais, de modo a prepará-lo para enfrentar a hegemonia que aflige a humanidade com um falso consenso denominado de democracia capitalista burguesa nesse inicio de milênio.
   A construção do mundo moderno contra-hegemônico não pode mais ser compreendida na exclusiva perspectiva das relações econômicas imposta pelo capitalismo e seus atores, tomam como determinante apenas o crescimento e fortalecimento da produção capitalista. Temos que superar as concepções reducionistas que ainda resistem nos movimentos sociais tradicionais. Optamos francamente pelas múltiplas determinações e valorizamos aspectos fundamentais da modernidade presente nos movimentos sociais que têm sido negligenciados por grande parte de seus lideres que, envolvidos em interesses pessoais mesquinhos ou de pequenos grupos com status quo locais, regionais e nacionais, usam o movimento social despolitizadamente, como forma de manipular, usar e depois descartar. Além das disputas pelo poder e dos interesses escusos e mesquinhos individuais, o movimento social também é lugar de concepções de mundo contra-hegemônicas explicado pelo próprio fazer histórico, das diferentes maneiras de se viver organizadamente. Os sonhos, os desejos, as utopias fazem parte da historia, representam a vontade do homem, as suas insatisfações levam-nos a questionar e a buscar uma nova sociedade de iguais na prática e, não só nos documentos oficiais e nos discursos demagógicos presentes no dia a dia. Eles os levam a operar organizadamente as mudanças concretas na maneira de produzir o social. Mesmo aqueles que não são tão letrados, são capazes de se organizar politicamente e ideologicamente e criar a contra hegemonia e contribuírem para que a sociedade estabeleça novos caminhos de igualdade social de fato e não fique só nas aparências.
   Essas concepções multifaceada impostas aos movimentos sociais feitas por falso liderem não significa, entretanto, uma fragmentação definitiva destes, ele apenas, momentaneamente, pela falta de formação política e ideológica da maioria dos seus lideres e liderados que se encontram desconectados entre si, do contexto político contra hegemônico nascente. Muito ao contrario, a contra hegemonia é integrada com os movimentos sociais. Tanto assim que nem sequer um representante do poder político municipal se fez presente. Os lideres de movimentos sociais encontrará na própria luta, companhia e vitória na abrangência imposta ao movimento, inserida numa compreensão mais ampla. Esperamos que a nossa contribuição pudesse ser analisada pelos lideres e liderados e demais interessados, na sua profundidade, para que os tiros não continuem a saírem pela culatra. Digo isso, pois, sempre ouço de lideres comunitários que não tiveram uma formação política e ideológica por menores, dizerem que foram usados pelo sistema, isso ocorre exatamente por isso, pela falta de profundidade desses lideres na causa em questão.

   Por fim, saúdo o camarada Lozo, pela iniciativa de iniciar o debate e nos convidar para dar as nossas contribuições. Digo mais, na qualidade de quem quer contribuir, que um movimento não se faz isolado, é preciso ter um grupo coeso e com interesse coletivo e contra hegemônico também coletivo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

PETROBRÁS: INVESTIGAÇÃO OU TENTATIVA DE GOLPE “BRANCO”?

PETROBRÁS: INVESTIGAÇÃO OU TENTATIVA DE GOLPE “BRANCO”?

Por Jeorge Cardozo

Assim como as operações da natureza, as histórias humanas também são governadas pela lei cientifica, diferentemente, de todas as interpretações religiosas.

Dessa forma, parafraseando Marx, o mundo e a política e as suas causas, efeitos e consequência podem ser entendidos racionalmente. As pessoas tem liberdade de criar sua própria história e desconstruírem às falsas ideologias, mas para fazerem isso deve compreender o significado da história, da ideologia, da alienação e suas leis. Os fatores econômicos, tecnológicos e políticos, o modo pelo qual as elites políticas e econômicas dominantes se utilizam da cultura, da política, das leis, da religião, da moral e da filosofia para gerar golpe contra as classes trabalhadoras – veja o caso do Paraguai, recentemente.

“A tecnologia material – os métodos de cultivo da terra e os instrumentos para a fabricação de bens de consumo – determinaria os arranjos sociais e políticos da sociedade e as perspectiva intelectuais. Exemplo disso foi a Revolução Francesa, cujos líderes, os burgueses, atacaram os remanescentes feudais e proveu a livre competição, a expansão comercial e transferiram o poder da aristocracia proprietária de terras para os poderosos das finanças e da indústria. Essa mudança era necessária porque as bases econômicas da sociedade tinham sido radicalmente alteradas desde o feudalismo medieval” (Marx/Engels).

A classe política empresarial brasileira usa o poder político para proteger e incrementar seus interesses e tentar golpe “branco” contra o governo dos trabalhadores, a la Paraguai. Controlando a produção material e também a produção intelectual, apresentam como padrões morais e religiosos, suas ideias são encaradas como verdades, refletindo os interesses econômicos da classe dominante na política nacional.

A elite política brasileira preconizada no PSDB/DEM, com ramificações em todos os partidos, em especial, no PMDB, não aceitam a própria democracia defendidas em seus discursos, que deram ao PT, o quarto mandato, legitimado pela maioria do eleitorado nacional. Agora, via parlamento, tentam desestabilizar o governo e, até mesmo, articularem um golpe “branco”, arranjado, como fizeram a elite política tradicional paraguaia, contra o então presidente, Fernando Lugo.
O Brasil não é o Paraguai – esperamos – portanto, cabe ao povo brasileiro ficar de olho no que está por trás dessa tentativa de golpe “branco” preconizada nos discursos dos perdedores do pleito de 2014.


Entendemos que a Polícia Federal tem exercido o seu papel policial e social, na condução das investigações. Portanto, esperamos que tudo sejam esclarecidos e que todos os culpados sejam devidamente punidos pela justiça. Agora, tentativa de politizar os acontecimentos, paralisar o país, criar discurso golpista, terá de ser combatido, por todos os cidadãos da pátria nacional.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

SOBRE ADOLFO SÁNCHEZ VÁZQUEZ

por Atilio Boron


Em 1994, o cubano-alemão Raúl Fornet-Betancourt trouxe a público um grande ensaio que tinha por objetivo passar a limpo e em linhas gerais “O marxismo na América Latina”. Seguindo o caminho da marxologia, Fornet-Betancourt nos proporcionou uma visão panorâmica da recepção da teoria marxista em nossa América, estabelecendo as grandes fases do seu desenvolvimento entre nós. Desde o impacto do pensamento utópico e dos primeiros influxos do marxismo no século XIX até a revolução cubana de 1959, o autor se dedicou a assinalar os grandes pensadores do marxismo latino-americano e, para a fase pós-1959, resolveu destacar quatro grandes teóricos, dentre eles Adolfo Sánchez Vázquez.

Ernesto Che Guevara, Juan David García Bacca, Adolfo Sánchez Vázquez e Enrique Dussel são considerados, assim, do resgate criativo do marxismo na América Latina, na melhor tradição iniciada por Mariátegui, ainda na década de 1920. Depois do falecimento de “El Amauta” – o sábio, como ficaria conhecido o peruano José Carlos Mariátegui – o continente teria assistido a uma profunda estagnação do pensamento marxista e só viria a se renovar com o período quente das revoluções cubana e nicaragüense, para não falar no episódio chileno, a partir das quais se forjaria uma arejada e consistente produção teórica inspirada no pensamento de Marx.

Neste contexto, Sánchez Vázquez é uma figura ímpar. Tendo nascido em Cádiz, em 1915, literalmente vivenciaria a guerra civil espanhola, na qual cerrara fileiras contra o ditador Franco e, com a derrota das forças resistentes, se exilaria no México onde arquitetaria sua trajetória de intelectual crítico e engajado.

Justamente no correr da década de 1960 é que Sánchez Vázquez executaria uma virada crítica em sua interpretação marxista da realidade, guinada esta que culminaria com sua obra clássica, inclusive no Brasil, intitulada “Filosofia da práxis”. Contumaz crítico da “esclerose e dogmatismo” que o “movimento comunista mundial” seguia – como se refere nos prólogos deste seu livro –, sua tese central ficou assim esculpida: “o marxismo é, acima de tudo, uma filosofia da práxis e não uma nova práxis da filosofia”. Quer dizer, para ele, “a constituição do marxismo como ciência diante da ideologia ou da utopia é, certamente, fundamental, mas só se explica por seu caráter prático; isto é, só a partir da, na e pela práxis”.

Isto demonstra a força de seu pensamento, renovando sem trair, o espírito mais profundo das teses revolucionárias que Marx e Engels proporcionaram ao movimento dos trabalhadores para mudar, agora e mais que nunca, o mundo. A práxis é seu grande legado. Sánchez Vázquez, para consolidar tal herança, dialoga com os predecessores de Marx e seus continuadores: Hegel, Feuerbach e Lênin são os preferidos quanto ao problema da “práxis”.

No entanto, a tese central de sua obra maior também é um diálogo crítico com Althusser, a quem dedica mesmo um livro, chamado “Ciência e revolução”, e cujo resultado é encontrar “dois Althusser” e valorizar aquele que encontra na práxis a síntese histórica para o marxismo e seu caráter revolucionário.

Sánchez Vázquez, contudo, foi um ícone do marxismo latino-americano porque o abriu para a renovação e duas são as marcas deste arejo: a estética e a utopia. Dedicando-se à estética, em obras como “As idéias estéticas de Marx” ou “Convite à estética”, tomou-lhe o seu quinhão prático e o historicizou na vida dos homens. O belo, o sublime e o cômico, ou seus contrários, são reais, antes que ideais, ainda que ambos possam construir uma relação potente. Talvez aí resida sua conexão moral, desenvolvida pelo pensador em um livro dos mais divulgados no Brasil, “Ética”, em que caracteriza a especificidade deste campo.

Pelo lado da utopia, realizou pujante profecia: a utopia resiste e seu caráter socialista é um dever-ser para homens e mulheres que queiram construir um novo mundo. Dessa forma, a utopia socialista permanece “não só porque continua sendo necessária, desejável, possível e realizável, embora não inevitável, como também porque, dado seu conteúdo moral de justiça, dignidade, liberdade e igualdade, esta utopia – seja ou não no futuro – deve ser”. Este é o arrebatador fechamento do livro que compila vários de seus artigos e que recebeu o nome de “Entre a realidade e a utopia”.

Daí o resgate do “Valor do socialismo”, título de um de seus últimos livros publicados em português, que se reencaminha para o devir utópico, com a força criativa da realidade latino-americana, e que se apresenta como alternativa atual e necessidade histórica para superar a contínua barbárie do capital.

Eis que o falecimento de Adolfo Sánchez Vázquez, aos 95 anos, na manhã da sexta-feira, dia 08 de julho de 2011, deixa uma grande lacuna para o marxismo criativo e crítico do continente, porém é um depoimento histórico de que podemos, e devemos, seguir na construção de uma nova realidade social a partir de uma teoria irredenta, sensível e utopicamente possível!

* Ricardo Prestes Pazello é professor da Faculdade de Direito da UFPR; pesquisador na área de antropologia jurídica, direito e movimentos sociais e marxismo latino-americano; militante da Consulta Popular; colunista do blogue assessoriajuridicapopular.blogspot.com

WAGNER, A “NOVA CABEÇA BRANCA” DA BAHIA


Por Jeorge Cardozo*
   
     Vou começar esse texto com uma pergunta? Então vamos lá. O Governador Jaques Wagner está se achando a “nova cabeça branca” da política baiana, ou está subestimando os seus adversários, ou quer deixar tudo entre família, já que dizem por aí que a filha do governador está a namorar o prefeito almofadinha ACM-Neto, ou quer deixar a Bahia entre amigos, tendo Rui Costa como seu fiel escudeiro, desde as épocas de militância sindical, no Sindiquímica. Posso dizer que o governador embora tenha ganhado duas eleições de forma espetaculares, mas, quando se trata de eleger parceiros, deixa a desejar é só vermos o que aconteceu com Pelegrino. Entendemos que o seu governo tem realizado boas ações, principalmente na área social, estradas, desenvolvimentos locais, mobilidade urbana e etc., e, é duramente criticado nas áreas de segurança pública, educação, saúde (embora tenha inaugurado vários hospitais regionais, que, só resolve, a priori, os problemas emergenciais), ficando devendo, em muito, na área da saúde preventiva, que leva meses para se marcar um simples exame ou uma consulta, quando se trata de especialistas em todas as áreas.
     De forma resumida, voltando à questão da sucessão baiana de 2014, podemos dizer que o candidato mais preparado politicamente e tecnicamente dentro dos quadros petistas, é o senador Walter Pinheiro, esse tem um grupo político forte internamente no partido e tem desenvoltura a nível nacional para implementar no estado politicamente e administrativamente. Mais como é comum na política nacional e aqui na Bahia não é diferente, o governador Wagner quer um candidato com perfil mais técnico do que político, ou seja, o indicado administra e ele, Wagner, faz política, olhe Lula com Dilma, por exemplo.
     No entanto, no meu entendimento, Wagner está se achando o cara “esse cara sou eu”, ou melhor, dizendo, eu sou o novo “Cabeça branca” da Bahia, eu mando, o PT atende, pois, com Walter Pinheiro, as coisas não seriam bem assim, pois, sendo Ele o governador, obviamente, iria ouvir as experiências do ex., mas, no entanto, só seguir as suas ordens, longe disso, o senador tem personalidade e independência para tal.
     Destarte, Wagner continua a subestimar os seus adversários, ao que tudo indica, indicando o nome de Rui Costa que é quase desconhecido das massas, demonstra que a “nova cabeça branca”, está a confiar por demais no seu taco para elegê-lo governador. No entanto, Wagner está esquecendo que a oposição embora “moribunda” está a se recuperar e, saindo unida em torno de um nome com viabilidade eleitoral, poderá incomodar em muito, as pretensões do governador.
     Lembramos ainda, da candidatura da também senadora Lídice da Mata, trata-se de uma figura feminina e enigmática na política baiana, que, ao fazer palanque para a dupla Eduardo/Marina ou vice-versa, vai incomodar em muito, as pretensões dos petistas. Portanto, cuidado governador, ponhas as barbas e as madeixas brancas de molho, pois, o bicho não é tão manso como está a imaginar. Quem avisa amigo é.

-GLOBALIZAÇÃO E CULTURA



Por: Jeorge Cardozo*


A globalização é uma palavra que indica não que interpreta ou sintetiza, portanto, indica o problema, não a chave da sua interpretação. Sinaliza uma nova realidade da experiência vivida no final do século XX, indicando uma nova etapa e um novo quadro do processo de desenvolvimento das interdependências das nações mundiais, que, ao mesmo tempo, integra e polariza o sistema mundial, a impressionante aceleração da mobilidade e dos fluxos de pessoas, bens, capitais e símbolos, etapa e quadro que podem ser vistos em perspectiva e os passos anteriores na direção da internacionalização e da mundialização das relações entre as pessoas e o modo de produção.

Mas, é preciso não cair no rito usual da idéia de globalização, nos moldes colocados pelo sistema capitalista e, se criar um modelo contra hegemônica de globalização onde todos os sujeitos estejam inseridos, diferentemente, do modelo de globalização preconizado pelo poder hegemônico do capital. Portanto, é preciso problematizar, construir modelos de teorização, observação e análise suficientemente críticos para dar conta de análise mais aprofundada e extensa do modelo atual de globalização e das suas tendências teóricas atuais, que, escondem nas suas entrelinhas, as mazelas desse paradigma globalizante preconizado pela burguesia detentora dos conhecimentos teóricos implícitos na globalização.

Portanto, para se ter uma idéia mais profunda do fenômeno ora estudada que é a globalização, faz-se necessário, pluralizar buscando uma precaução do método, para não na tentação de uniformizarmos e reduzirmos “globalizações”: que são vários fatores, várias configurações, vários efeitos da mesma dinâmica, como propõem Appadurai (1990, 1996) que a interpretação sociológica seja considerada através da mediação dos “quadros”, ou como preconiza Boaventura Sousa Santos (1995), que seja através dos “espaços estruturais”, ou seja, domestico, do trabalho, do mercado, da comunidade, da cidadania e do espaço mundial, ou então, que é o que aqui se vai ensaiar de seguida, das especializações sociais que articulam formas de organização e interação social, principalmente nas cidades contemporâneas.

Explica ele, que o quadro de complexidade da cultura estudado por ele, torna clara a dificuldade, já anteriormente notada, de se definir uma visão coerente da expressão cultural das cidades, já revelada na precariedade das tentativas de estipular imagens consistentes que as promovam no plano da competitividade em que se encontram atualmente. Portanto, há hoje, uma hibridação ou crioulização das culturas, ou o anunciado o processo de lateralização subordinante ou de resistência de certas expressões culturais identitárias presentes na cidade, estávamos, na verdade, a definir um conjunto de possibilidades abertas pela relação local-global a iniciativas culturais dispersas, cujo sucesso depende em grande parte da capacidade de recombinação e cruzamento de elementos originários dos mais diversos domínios da atividade social, econômica, artística ou cultural num sentido mais estrito.

São nesse sentido de recombinação de elementos que iremos abordar amplamente as competências práticas de agentes determinados, as especialidades compostas de interação social e os modos de intervenção na cidade, deixando, a terminar, algumas questões acerca do lugar do espaço público e da sua eventual revitalização.

A plasticidade da realidade social e a multiplicidade e articulação de campos de ação e de referencias têm originado um sentimento generalizado de ambivalência e multiplicidade de valores e levado alguns analistas a falar em caos do tempo atual. O que está em jogo, nesta perspectiva, é a idéia de excesso de significados dados às coisas e dos lugares que contesta a estratégia modernista de classificação racional. Portanto, a alternativa tem sido a valorização da metáfora da hibridação (cruzamento de espécies diferentes) ou contaminação que assinala o surgimento de categorias compósitas (constituída por mais de um elemento), seja no domínio das identidades dos sujeitos, seja nas expressões artísticas ou literárias, ou nas próprias concepções do tempo e dos espaços. A metáfora da hibridação e da contaminação, cujas origens remotam à biologia do século XIX na visão de (Young, 1994), tem subjacente (subentendido) o principio da mobilidade dos atores envolvidos e da permissividade das fronteiras, bem como da fragilidade das classificações.

Destacamos, entretanto, as zonas de intermediação entre entidades e processos que parecem relevantes para uma reflexão sobre os reajustamentos sociais e culturais decorrentes da globalização e atuantes sobre os modos de organização da cultura urbana e a relação entre espaços públicos e privados.

Portanto, destacamos deste modo, quatro zonas de intermediação: as “terceiras culturas”, as “relações sociais de estranhamento”, a “domesticidade” e o “espaço de proximidade relacional”.

ZONA DE INTERMEDIAÇÃO: TERCEIRAS CULTURAS

Terceiras culturas são como território transnacional (além das fronteiras) de negociação e resolução de problemas surgidos com a globalização e o contacto interculturais. Como exemplo disso, podemos citar os profissionais do direito internacional ou do design, intelectuais e as próprias indústrias culturais de hoje são, em princípio, detentores de competências técnicas e profissionais especificas que lhes permitem viver “entre culturas” e estabelecer comunicação entre si através da retradução dos seus sentidos e significados.

ZONA DE INTERMEDIAÇÃO: RELAÇÕES SOCIAIS DE ESTRANHAMENTO TOLERÂNCIA.

A relação dos cosmopolitas (elementos de vários países, universal, internacional) e profissionais das terceiras culturas com as culturas locais e os seus atores. Apesar da sua tácita relação de mútua sobrevivência, o contacto entre uns e outros não é direto nem intimista. Diríamos mesmo que configura uma relação social de estranhamento. O que melhor caracteriza a relação social de estranhamento e o fato de não corresponder nem à relação típica de interconhecimento nem a de conflito. Daí que seja uma relação inscrita na ambigüidade e, logo, portanto, na indeterminação do seu desenrolar e desfecho.

ZONA DE INTERMEDIAÇÃO 3: DOMESTICIDADE E PRÁTICAS SOCIOCULTURAIS.

Uma das linhas reequacionamento do lugar do espaço doméstico na estruturação das práticas culturais tem vindo a ser problematizada através do seu confronto com as chamadas práticas de saída, portanto, estas práticas de saídas não podem ser entendidas como práticas vazias de conteúdo e convocar atividades, significados e especialidades dos jovens, na formação de estilos de vida e na mediação de processos identitárias. Em vista da tendência para que a domesticidade reforce e faça cristalizar as hierarquias sociais, relacionadas com as disposições estéticas e os contextos de socialização, portanto, urge a necessidade de políticas culturais e educativas consistentes que promovam a democratização cultural no Sul.

ZONA DE INTERMEDIAÇÃO 4: ESPAÇO SOCIAL DE PROXIMIDADE RELACIONAL

Sobre as falências das designações nominalistas dos espaços, vale à pena enunciar apenas outras duas situações que problematizam o valor heurístico (alegria por um achado ou descoberta) da dicotomia (divisão em dois) público-privado.

A primeira situação dessa dicotomia anuncia o modo como os significados da cidade e da cultura urbana mobilizam o corpo e a capacidade cognitiva e sensorial dos sujeitos, inviabilizando o sentido material das fronteiras entre o que são público e o que é privado. Exemplificando, as chamadas paisagens sonoras, olfativas ou visuais das cidades podem permitir aos sujeitos experimentarem a cena pública urbana a partir do seu mais recatado isolamento, ou, inversamente, podem invadir e intrometer-se no seu espaço pessoal e privado de modo irrestrito.

A segunda situação põe em evidencia o modo como ações materiais concretas podem alterar o significado simbólico dos espaços, interpelando de novo a sua distinção. Exemplificando, o parque ou jardim “público” que é temporariamente ocupado por cerimoniais ou festividades privadas, ou a esplanada que se instala no passeio público, ou o recanto protegido da rua onde o sem-abrigo dorme ou cozinham, da mesma maneira que, ao invés, o centro comercial é acessível a (quase) todos, são situações em que o público é privatizado e o privado se torna público ou quase público.

CONCLUSÃO

Como conclusão, retomamos as idéias de Rousseau e a sua perplexidade sobre o lugar das artes performativas na cultura urbana das pequenas cidades. Ao chegarmos ao fim deste texto, o seu receio parece-nos de grande atualidade por obrigar a refletir sobre o significado das práticas culturais nas cidades contemporâneas, qualquer que seja a sua dimensão. Os efeitos da globalização e do mercado sobre as condições de produção, circulação e consumo dos bens e serviços culturais, ao mesmo tempo em que nos põem perante cenários totalmente diversos daqueles sobre que Rousseau refletia, atualizam a sua preocupação acerca do desvirtuamento das cultuaras Locais e do sentido de lugar de Genebra, feito às mãos dos influentes programas culturais de Paris.

-AS MASSAS, A POLITICA E O POLITICO.




Por Jeorge Luiz Cardozo

Mas como se põe o povo em relação à política e o político nos dias de hoje? Há crenças no político e na política atualmente? Essas perguntas representam uma posição embaraçosa. Por força da tradição, a política e o político ‘e palidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo pela maioria da população brasileira. A opinião corrente ‘e de que a política e o político nada fazem e carece de qualquer utilidade prática. ‘E escachada em público, mas, existirão realmente fundamentos nessas analises? A incapacidade técnica e moral de grande parte dos políticos merecem tal descrença.       
A descrença se traduz no fato de que a cultura política delineada em nossa sociedade ‘e de que, os políticos, na sua maioria, na fazem nada, só compram votos, e, depois, eleitos, só fazem roubarem. Destarte, a população mais carente (que são a maioria), não a compreende; diz que está além do seu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale dizer: ‘e inútil o interesse pelas questões fundamentais da política; cabe as massas absterem-se de pensar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, num capitulo qualquer de atividade prática ou intelectual o que seja a política e o papel do político; quanto às minorias, abastadas, essas dominadoras do capital e, portanto, detentoras dos meios ideológicos de dominação fomentam essa idéia de que política ‘e coisa de poucos, especialmente, de quem tem capital.
A polêmica torna-se encarniçada, por um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a política e o político, mas, no entanto, na hora H, fazem campanhas ferrenhas pra seus candidatos, geralmente, em troca de pagamento, ou, deslumbrando uma possibilidade de emprego.
Essa idéia ‘e perigosa. Se o povo a compreendessem tal teoria, adquiriam outro estado de espírito, veriam a política e o político, como sujeitos que são pagos para cuidar da coisa pública, e, não negociadores de votos e de cargos.  
‘E dessa má crença, que surgem os detratores que desejam afirmar que todo político não presta e são ladrões. Portanto, ‘e preciso substituir essa velha fórmula de se fazer política, por algo novo e totalmente diverso. Ela, a política e o político são desprezados como produto final e mendaz de uma cultura falida. A insensatez das preposições do povo e, até mesmo, dos políticos, ‘e ironizada. E a política vê-se denunciada como instrumento servil de poderes e ostentações para poucos.
Muitos políticos vêem facilitando seu nefasto trabalho pela ausência de uma cultura ética e moral inclusiva. Massas são manipuladas quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteligência de rebanho. ‘E preciso impedir que as massas se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a política e o político sejam vistos como algo entediante, longe do alcance das maiorias, para que, essas minorias abastadas, se apossem do poder, criando essa idéia de distancia entre os “cidadãos” e o poder político e econômico vigente.
Assim, a política e o povo se verem rodeado de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A autocomplacência burguesa, os convencionalismos, os hábitos de vender e comprar votos dá a política e o político o “status” de autodistante das massas.
Embora pareça crer que todos os políticos são corruptos, essa ‘e uma premissa falsa. Temos como poucos exemplos de nomes na política que, historicamente são honestos e, aqui tomamos a audácia de citar alguns nomes: Eduardo Suplicy, Pedro Simon, Waldir Pires, Ivan Valente, Heloisa Helena, entre outros menos conhecidos que, até que se prove ao contrario, são honestos.
O que precisamos então, ‘e de educar melhor o povo, partindo pelos próprios educadores que, no nosso dia a dia, são os primeiros a se utilizarem da má fé no processo eleitoral, apóiam candidatos em troca de angariar futuros cargos e, até mesmo, buscar promoções. Eis ai, uma das causas da grande descrença das massas na política e no político, a péssima qualidade da educação.