sábado, 16 de dezembro de 2017

A ELITE POLITICA BRASILEIRA

Por Jeorge Cardozo*

O MOMENTO ATUAL

Vivemos momentos de perplexidade em face do momento politico, econômico, social, e, especialmente, com o fracasso da Reforma Política na Câmara dos Deputados nos mostram com clareza as ideias marxistas a cerca do papel das classes dominantes na sociedade capitalista burguesa. Para Marx e seu discípulo Engels, todas as sociedades ao longo do processo histórico dialético apresentam-se separadas em duas classes antagônicas; quais sejam: burguesia e proletariado. A primeira, classe dominante, minoritária, que domina a imensa maioria de proletários, essa constituída por pessoas inferiores economicamente e culturalmente. Controlando o poder politico e econômico, a burguesia detém o poder do Estado e de seus antagonismos de dominação; quais sejam, executivo, legislativo, judiciário e as suas superestruturas ideológicas de dominação, como televisão, rádio, jornais, revistas, religião, mídias modernas como internet e intranet, das finanças, monopólio da violência institucionalizada e se beneficiando das benesses que o poder politico e econômico lhes proporcionam, em detrimento da maioria dominada lhes dão, com a força de trabalho, apropriado pela burguesia, na forma de mais-valia relativa e absoluta, meios de sobrevivência para a minoria privilegiada e os meios essenciais para a máquina burocrática burguesa capitalista funcionar.

Toda a sociedade passa a ser moldada pelas ideologias da classe dominante burguesa. Praticamente, não há distribuição de riquezas no seio das classes e uma centralização ainda maior do poder, nas ideias de mundo, massificação da violência, racismo, homofobia, monopólio politico e etc.

A FARSA

Sempre ludibriando o povo, por meio de uma “falsa democracia” e uma “falsa igualdade” aparente, a soberania do povo é roubada e ludibriada. Com o poder do capital monopolizado, monopoliza também o poder politico, esse poder politico eivado de corrupção, aumenta ainda mais as riquezas das minorias. Essas, as maiorias, ficam a reboque da falta de educação, saúde, cidadania, moradia de qualidades, enquanto são levadas aos vícios do consumismo capitalista, se endividando para estar aparentemente, inclusa na sociedade mascarada de que todos são iguais e tem as mesmas oportunidades.

OS PRIVILÉGIOS

Com tantos privilégios, a burguesia capitalista domina o poder politico e se perpetuam enquanto famílias de suas benesses. Por tudo que foi dito, criam-se uma inercia, guardando o lugar, preservando o mesmo estado de coisas. Essa aparente estabilidade inviabiliza a renovação de ideias nos quadros políticos, desconstruindo o que a mesma democracia burguesa prega, o principio do voto universal e de governo do povo.

Essa ação da elite politica e econômica de monopolizar o poder são ameaçadas, em vez enquanto, pelo surgimento de novas forças antagônicas de rebeldia, como o caso, na atualidade, da Coreia do Norte e do Estado Islâmico, por exemplo. A ganancia pelo poder leva a elite a se fechar, tornar-se rígida (veja o caso do golpe parlamentar aqui no Brasil), petrificada, além de improdutiva no sentido de um projeto de desenvolvimento nacional, preferem entregar as matérias primas, sem agregar valor, ao capital estrangeiro, vejam os casos das privatizações das fontes de energias, reformas trabalhista e previdenciária em curso, para o trabalhador continuar a pagar as mazelas feitas por eles. Inviabiliza para uma renovação politica em que os trabalhadores estejam inseridos.

A INOPERÂNCIA DE GESTÃO

Destarte, do ponto de vista da administração pública, demonstra uma total inoperância de gestão, apenas pensam nos seus status quo e domínio secular politico e econômico, em detrimento da maioria.

Buscam legitimar uma separação entre as classes, disseminando uma ideia de que, quem estuda e trabalha pode chegar lá e que os demais são “preguiçosos” e “burros”, criando uma realidade distinta e maquiada. São tantas as incompetências que o primordial, que seria botar a máquina pública para funcionar em pró do povo, não é capaz, criam-se as leis para seus próprios benefícios, não funciona no combate ao crime e diminuição da violência, ao aumento da miséria, da opulência para poucos e miséria e falta de oportunidade para muitos. Há uma discrepância entre os três poderes e a participação popular neles, de forma que, embora seja maioria, ficam com as sobras em todas as instancias politica, econômica e social.

A IMORALIDADE

A crise moral milenar exaltada no momento, de descredito, causa sentimento aparente de repulsa, revolta, de descredito, mas, no ano que vem, teremos novas eleições e que, em 2019, todos, ou maioria, serão reeleitos e estará de volta ao “grande circo” nacional em que se transformou a capital federal, o executivo, o legislativo e o judiciário, esse último, em parte.

O DESMONTE DO ESTADO SOCIAL LIBERAL PETISTA

O Estado de Bem Estar Social, nos moldes Keynesiano (refiro ao economista britânico John Maynard Keynes, responsável pela recuperação econômica americana pós-grande depressão de 1929), assentado nos governos petista, encontram-se em desmonte por parte dos golpistas e delineados pelos presidente corrupto e transloucado Temer, apoiados por setores conservadores presentes na politica e nas religiões como Assembleia de Deus (PSC) e Igreja Universal (PRB), destroem as poucas conquistas dos trabalhadores obtidas ate então.

A SOLUÇÃO

Os brasileiros precisam dar respostas nas urnas aos partidos e personalidades que achacam os trabalhadores, precisam esmagar nas urnas, partidos como PSDB, DEM, PSDB, PR, PP, PTB, PRB, PSC, SOLIDARIEDADE, PODEMOS, AVANTE E TODOS ESSES PARTIDOS “NANICOS” QUE VOTAM E ATUAM CONTRA O POVO E OS TRABALHADORES.

OBS: VEJA MAIS EM : BLOGDOCARDOZO3333.BOLGSPOT.COM
Jeorge Cardozo é graduado em Filosofia, especializado em metodologia do ensino superior, pesquisa e extensão em educação e mestre em politica pública e desenvolvimento local sustentável.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

LUTAS DE CLASSES NA ÓTICA DE MARX E ENGELS!

Por Jeorge Cardozo

A expressão Luta de Classes tem origem na teoria do filósofo, historiador, sociólogo, jornalista, economista e socialista alemão Karl Marx.
Para Marx, tudo se encontra em um constante processo de mudanças e o motor dessas mudanças é justamente os conflitos resultantes das diversas contradições que podem existir dentro de uma mesma realidade. Ou seja, na realidade capitalista, essas contradições seriam as distintas posições ocupadas pelas diferentes classes sociais.
É exatamente por conta da luta das classes que toda a história foi construída. Por toda ela, desde o feudalismo e escravidão, houve essa dicotomia de poderes e essas lutas de classes são a força motriz para as grandes revoluções.
Essa é à base da teoria marxista, que procura explicar as relações econômicas nas sociedades ao longo dos anos. Haveria, portanto uma dialética permanente, que explicaria como os movimentos ocorrem de acordo com as condições materiais da vida.
Burguesia x Proletariado
Essa luta contínua de classes, de opressores contra os oprimidos, burguesia contra o proletariado, está presente em todo o ideal marxista, que é posto logo na primeira frase do seu livro “O Manifesto Comunista”, que diz que: “A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes”.
Seguindo esse preceito de Marx, Engels afirma que as classes sociais nada mais são do que “os produtos das relações econômicas da época”.
Na teoria marxista, escravidão, servidão e capitalismo, apesar das diferenças aparentes, são nada mais do que etapas do mesmo processo. A estrutura capitalista promove apenas o interesse da classe dominante. Marx defendia uma inversão dessa pirâmide social, onde o poder estaria nas mãos da maioria, criando um sistema socialista.
o entanto, no sistema capitalista atual, o proletariado é, então, refém da ideologia defendida pela burguesia. Por ter o domínio das grandes corporações e dos principais meios de mídia, a classe do topo da pirâmide espalha sua visão de mundo e sociedade e, assim, acaba influenciando a base, que acredita que seus direitos estão protegidos nas mãos dos grandes.
Essa escravidão ideológica só seria rompida através da educação e revolução do proletariado em busca do seu verdadeiro poder.
Mais-valia e Alienação
Ainda de acordo com a teoria marxista, existe uma alienação do trabalho, onde o criador se torna alheio ao que produz. É um sistema semi-escravista, no qual o empregado cada vez mais se empobrece, conforme produz mais riquezas, essas, que serão desfrutadas apenas pelo empregador.
É aqui que entra a mais-valia, que é justamente a base do lucro do sistema capitalista. O valor pago é totalmente diferente do valor relacionado a carga horária e trabalho executados pelo proletário. Esses dois conceitos só seriam sobrepujados quando o operário começasse a dar valor àquilo que produziu, exigindo seus direitos.
As lutas de classes são, portanto, a contínua disputa do dominador contra o dominado ao longo da história (senhores x escravos, nobres feudais x servos, burguesia x proletariado). Todo esse ciclo cria uma enorme injustiça social, onde o único jeito de uma pessoa ficar rica seria explorando a classe trabalhadora, através do roubo institucionalizado ou não, da corrupção pública e privada.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

CRÔNICAS DA POLITICAGEM!


Por Jeorge Cardozo

Vivemos momentos de perplexidade em face do momento politico vivenciado em nosso país. De um lado, o PT com seu paradigma social liberal que, ainda que setores da classe médio-alta, hoje em dia, não queiram reconhecer os dividendos que, outrora beneficiou esses setores com as políticas públicas, em especial na educação, que, a priori, levou esses setores a se aprofundar nos graus mais elevados, mestrado e doutorado; sem se falar na graduação, essa, chegou também às classes C e D que, naquele momento, não atrapalhava as pretensões da classe médio-alta, pelo fato de, essas não serem atingidas, até então, pela grande crise do capital mundial, iniciada nos Estados Unidos, chegando a Europa, Ásia, até chegar à América Latina.

Tendo acesso ao conhecimento, ao mercado de trabalho e ao consumo, esses setores mais abastados e formadores de opiniões, embora incomodados com os avanços, que chegaram também as classes C e D, que, também tiveram acesso ao ensino superior, especialmente, à graduação e a especialização. Mas, com o agravamento da crise e a consequente perda aquisitiva e acirramento competitivo do mercado de trabalho, a classe médio-alta, em especial, se viu decaindo o seu padrão de consumo e emprego, tornou-se ativa no sentido de críticas as políticas públicas de inclusão das classes C e D, chegando também a E, incentivando a volta do conservadorismo, em especial, advindo das religiões protestantes e de grupos neofacistas presentes em vários setores, influenciando, inclusive, jovens das classes C e D. Destarte, a classe E, essa até então, marginalizadas, foi beneficiadas com os programas sociais, como a Bolsa Família, moradia popular e demais políticas públicas, advinda do modelo Kerneisiano, presentes nos governos petistas de Lula e Dilma.

É fato também, que essas políticas públicas do estado de bem estar social kerneisiano, ajudou em muito, a tirar o país de um modelo altamente concentrador de rendas e benesses para pouco, para um país em melhoramento nos índices sociais, refletindo no mundo todo.

Destarte, com a chegada da crise em um momento crucial, período eleitoral, tendo o governo da então presidente Dilma, ser compelido a omitir dados da crise para não perder a reeleição, despertou os interesses golpistas de uma oposição ávida para retornar ao governo e tendo sido derrotada nas urnas, essa, a oposição, tendo em Aécio Neves e Temer os seus ícones, entre outros, se aproveitaram do momento, beneficiados pelo momento de perda de poder aquisitivo da classe médio-alta, incentivou-a irem para as ruas, juntou a tudo isso, os avanços das investigações da “Operação Lava-jato”, para desgastar ainda mais o governo petista e preparar o golpe parlamentar.

É fato também, que grande parte dos que preconizaram o golpe parlamentar, eram até então, falsos aliados dos governos petistas que, depois de três derrotas nas urnas, deixou o modelo socialista de lado e passou a defender o modelo social liberal kerneisiano, ou seja, não mexer no macro economia, essa continuou nas mãos dos grandes empresários dos setores industriais, agronegócio e banqueiros e implementou políticas sociais, pagas com altos impostos pela classe médio-alta, beneficiando as classes D e E.

O resultado de tudo isso, foi o acirramento, com o aumento da crise, as diferenças entre as classes. A alta burguesia, essa continua imune aos altos impostos, à perda de poder aquisitivo das classes pormenores, em especial, a média que, elegeu as classes D e E como responsáveis, distribuindo o ódio, o preconceito, apoiando o golpe parlamentar e se aproximando de políticos e religiões conservadoras e oportunistas, como o deputado neofascista JAIR BOLSONARO.

Por outro lado, vemos um judiciário omisso, perseguindo os “supostos inimigos”, na luta de classe e privilegiando outros, quando se esperava que estivessem do lado da lei para todos, que não é o caso. Vemos membros da mais alta corte, STF opinar e proteger políticos corruptos, como cidadão comum os fosse. Mas, esperar o quê de membros da corte maior, indicados por esses mesmos políticos corruptos e com relações promiscuas com os mesmos!

Por fim, vemos hoje em dia, quase todos os partidos políticos, com raras exceções de PSOL, PCB, PSTU e PCO, os demais todos envolvidos em corrupções passiva, ativa, crimes comuns, financiamentos escusos de campanhas e todos os tipos de relações promiscuas não republicanas. Fato esse, comum na nova republica, lembrando que, os líderes desse antro, vem do regime militar pós 64, como os senhores Sarney e família, Jader Barbalho, Collor, Maluf, Calheiros, Newton Cardoso e família, ACM e família que fizeram escola e deixaram ramificações até os dias atuais.

Uma reforma política seria, feita por pessoas serias, coerentes e com um pouco de ética, poderia nos dar novos rumos. No entanto, a reforma política que está sendo delineada por esses mesmos que hoje lapidam a rés pública, imorais, corruptos, canalhas e todos os tipos de adjetivos pejorativos, só vai manter os status quo deles e nada mudará, é só ver a tal lista partidária, proposta pelos líderes dos partidos achacadores e com simpatia até de setores da esquerda famigerada. Financiamento público de campanha já, pois, assim, todos os setores da sociedade poderão ter a chance de se elegerem e de se ter igualdade nas relações republicanas e na política, do contrario, haverá sempre a concentração de poder nas mãos das elites, dos corruptos em detrimento da maioria da população. E o povo, esse, o povo, não consegue enxergar de fato, no mundo político e econômico do país, o que de fato acontece. Portanto, em 2018, muito provavelmente, reelegerão os mesmos que lá estão e o ciclo de corrupção e canalhice continuará.




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

-FILOSOFIA PARA CRIANÇAS!

por Jeorge Cardozo*

“... A consciência, hoje comum, da possibilidade da autodestruição humana. Tudo parece apontar, em sinistra evidencia, para o desaparecimento do homem” (Karl Jaspers, 1965, p. 20).

Ideologicamente atenta e socialmente critica.  Reconhecendo que nenhum valor ético e estético é politicamente neutro, a filosofia para criança deve recorrer ao conjunto de teoria critica associada às orientações afetivas e moderada, uma vez que estas constituem os desafios primordiais à hegemonia modernista. Ao mesmo tempo, deve continuamente avaliar criticamente esta teoria e seus argumentos.

“A transformação da existência humana em um processo de produção e consumo resulta em uma aceleração crescente da troca de bens. Todas as coisas – habitação, vestuário, mobiliário, economias – assumem caráter efêmero” (Karl Jaspers, 1965, p. 29, 30).

Buscando rebalancear pares correlacionados que estão dissociados e distorcidos no paradigma dualístico dominante. Estes incluem aspectos pessoais como conhecimento e valores, aprendizado cognitivo e afetivo, racionalidade e intuição, objeto e sujeito, aspectos materiais e espirituais; e aspectos coletivos como a economia, a política, a violência, conflitos religiosos, os valores éticos e morais, família, casamento, consumo, destruição ambiental, desmatamento e a ecologia, presente e futuro, ideologia e mais valia, local e global, individuo e comunidade e etc.

“E nós? Existimos verdadeiramente, enquanto sujeitos em busca de objetos que vêm a nosso encontro ou se colocam diante de nós? Antes que o busquemos, é preciso que o objeto exista para nós; com efeito, não temos consciência de nós mesmos se não a partir do momento em que nos encontramos tendendo para objetos. Não há objeto sem sujeito, nem sujeito sem objeto” (Karl Jaspers, 1965, p. 37.)

Colocando ênfase na relação e padrão (ética, afetividade, estética, sensibilidade); encontrando uma conscientização e sabedoria sistêmicas e participativas em relação à concepção literária exemplificadas nos mitos greco-romanos, indígenas e afro-brasileiros, na música e na sétima arte, não seletiva, mas para todas as pessoas em todas as áreas da vida, e se estendendo para além de suas fases ideológicas da vida, tais como criança e adolescência, explorando, testando, criticando e nutrindo os valores e alternativas sustentáveis, com uma explicita intenção de mudança na mentalidade dos envolvidos com a filosofia. Clareando questões éticas, mas também alimentando a sensibilidade ética normativa que relaciona e torna indissociável o que é profundamente pessoal e coletivo, ou seja, estende à fronteira do conhecimento comum para além do imediato e pessoal, em direção a um senso participativo de solidariedade para com as outras pessoas, ambiente e espécies a distancia, e as futuras gerações, esta é a ética transpessoal refletindo um pluralismo no pensar das crianças.

O homem é como é, porque reconhece essa dignidade em si mesmo e nos outros homens. Kant o disse de maneira maravilhosamente simples: nenhum homem pode ser, para outro, apenas meio; cada homem é um fim em si mesmo”. (Karl Jaspers, 1965, p. 54).

Voltado para a prática pedagógica fundamentada na filosofia e na ética que valorize a afetividade e a estética através de modos de educar para pensar; baseado na dimensão estética, ou na educação dos sentimentos e das emoções e não apenas em princípios racionalizados; considerando a participação ativa da criança nas definições e encaminhamentos do processo como principio do programa; desenvolver o espirito e o pensar critico-filosófico, criativo e incentivo; ampliar as reflexões sobre o horizonte cultural das crianças, trazendo para a sala de aula as informações o que geralmente não são tratados na escola; integrar o trabalho cultural com aspectos éticos, despertando valores universais, como fraternidade, não violência, contra revolução etc.; incentivar a participação ativa de pais e professores estimulando um ambiente democrático na escola e comunidade; articular o trabalho cultural com a música, a sétima arte, a mitologia com o aspecto ético e moral; transformar a sala de aula em uma comunidade de aprendizagem investigativa entre outras ações são objetivos pedagógicos aplicados ao ensino de filosofia para crianças e jovens.

“O abrangente só existe na medida em que aparece na dicotomia sujeito-objeto e se torna consciente de si mesmo, por assim dizer, como seu próprio objeto” (Karl Jaspers, 1965, p.44).

Deve conter bases metodológicas, operacional, organização metodológica, desenvolvimento, metas, avaliação de impactos, resultados e cronogramas das oficinas além, de orçamento financeiro, a filosofia para crianças é de suma importância para a garotada bem como, para os profissionais envolvidos no mesmo.

Trata-se, portanto, de abordagem de assuntos pertinentes ao campo da filosofia, do conhecimento, da ética, do valor, da moral e do pensar critico e filosófico para as crianças e jovens. Desta forma, o ensino de filosofia para crianças e jovens é a libertação do livre pensar e da compreensão das nuances do mundo pós-moderno.
*Jeorge Cardozo é graduado em filosofia e mestre em educação e contemporaneidade, políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.



sábado, 10 de dezembro de 2016

-A LEITURA E A DIVULGAÇÃO DESSE TEXTO INTERESSAM A TODOS!

Por Jeorge Cardozo*

A discussão a cerca dos problemas político, econômicos, social e moral no Brasil no momento, perpassa pelo entendimento dos fatos e das ideologias por trás das verdades e inverdades de tais acontecimentos, talvez a maioria das pessoas as considere que só os sujeitos envolvidos diretamente om essas questões deveriam se ocupar com seu estudo e entendimento, e não os sujeitos comuns, assim inclusos, trabalhadores braçais, técnicos, pequenos intelectuais que, com formação acadêmica direcionada apenas para a reprodução e execução das atividades por menores direcionados pelo corpo diretivo das empresas e longe das discussões estratégicas.

Ao contrario, defendemos a ideia de que a iniciação ao entendimento da politica e da economia não só é necessária como também deveria ser obrigação do ponto de vista de humanização e desalienação do sujeito, por ser muito importante para a formação integral do sujeito critico e entendedor das nuances colocadas pela ideologia da dominação presente nas entranhas do sistema capitalista na atualidade, assim, como o foi também, nos demais sistemas posteriores, escravistas, feudal e nas nações que, tem na religião, normas concorrentes com a política. Porque, ao estimular a elaboração do pensamento abstrato e concreto desses temas, a ciência politica ajuda a promover a passagem do sujeito analfabeto politico para o sujeito critico cidadão. Se a condição do amadurecimento está na conquista da autonomia no pensar e no agir concretamente, muitos cidadãos permanecem na inercia alienada da média e grande mídia quando exercitam desde cedo o olhar não critico sobre si mesmos e sobre os problemas da sociedade.

Vamos a um exemplo claro dessa manipulação da mídia na interpretação de fatos: quando começou em meados de 2015, os protestos de ruas contra a presidente Dilma, a mídia e os setores golpistas se reportaram como ação da democracia e se construiu um consenso que, para que a crise desacelerasse era necessária a saída da presidente. Criou um “mito” de que, todos os malem na politica, na economia, na corrupção era resultado da chegada do PT ao poder, dessa forma, fez o povo alienado e dirigido por essa mesma mídia golpista burguesa, esquecerem tudo de bom que os governos petistas tinham realizados: bolsa família, Pré-sal, minha casa, minha vida, mais educação, Fieis, ProUni, mais universidades e centros federais, fortalecimento do MERCOSUL, Brics, fim da dívida com o famigerado FMI e etc.; criando dessa forma, um falso consenso que a derrubada da presidente salvaria o Brasil e iria chegar a bonança para todos. Pois não, o que vemos é um presidente incompetente, corrupto, mister Temer, cercado por auxiliares todos corruptos e respondendo por diversos processos, pelos menos uns cinco deles já caíram em menos de 6 meses de governo e outros balançam, reformas que atingem diretamente todos os trabalhadores, aposentados, pobres, estudantes carentes; uma reforma da previdência social que só mexe com os mais pobres; uma reforma educacional que vai deixar os jovens ainda mais alienados e direcionados ao tecnicismo profissional e fora da verdadeira cidadania ao flexibilizar os estudos de ciência humanas como filosofia e sociologia, aumentando o número de jovens “semoventes”, apenas direcionados aos serviços técnico e sem acesso ao conhecimento de causa, efeito e consequência dos fatos que os cercam, direcionando ainda mais para o conhecimento fragmentado e alienante dos meios de comunicação de massas; é só vermos a famigerada Rede Globo, Record, SBT, Band e etc., ao se reportar as mudanças na previdência social que, mexe diretamente com os nossos futuros na velhice: diz a todo momento que essa reforma é necessária e se não for feita, todos no futuro irá ficar sem ela. De fato, isso é verdade, mas, eles não dizem que o futuro da previdência é de responsabilidade politica e dos políticos que, desde o tão festejado e irresponsável presidente Juscelino Kubistchek que, no inicio da década de sessenta, utilizou do superávit da previdência para erguer a capital federal, Brasília, torrando o dinheiro da previdência social por lá e depois com as aposentadorias milionárias pagas aos altos funcionários públicos, políticos, judiciário e todas as classes dominantes e o povão que, agora vão pagar as contas sozinhas? Ruim com o Lula e o seu PT, pior sem eles... É verdade que o povão precisa olhar com bons olhos os partidos que os defendem de fato em Brasília como PSOL, PSTU, PCO, PCB, de parte do PT, do PCdoB, PDT enfim... Deve também, exorcizar partidos achacadores como PSDB, PMDB, PSB, PR, PP, PRB, PSC, SD, PROS, PTB, PTN, PT do B, entre outros, que estão a serviço da roubalheira “Centrão”, da “sacanagem” com os pobres, trabalhadores, aposentados  e etc. São esses que compram nossos votos e depois nos traem em Brasília. Portanto, fique de olho, meu povo.

Portanto, o estudo e a participação política de todos, torna-se necessária para construirmos um país melhor para todos, porque não se pode pensar em nenhum homem que não seja solicitado a refletir e agir. Isso significa que todo homem tem (ou deveria ter) uma concepção de mundo, uma linha de conduta moral e política, e deveria atuar no sentido de manter ou modificar as maneiras de pensar e agir do seu tempo e na politica não é diferente. O entendimento da politica como práxis de todos oferece condições teóricas para a superação da “consciência ingênua” e o desenvolvimento da “consciência critica cidadã”, pela qual a experiência compreendida, isto é, em um saber a respeito dessa experiência no campo da politica e da economia do seu país e do mundo.

Em última analise, cabe ao “bom cidadão” fazer a critica da cultura da alienação midiática. Só assim será possível desvelar as formas de dominação que se ocultam sob o convencionalismo, o consenso burguês, a alienação e a ideologia.

No entanto, bem sabemos que uma das características dos Estados capitalistas, 99% deles, autoritários é impedir o entendimento aprofundado da ciência politica, filosofia, sociologia e silenciar a critica. Só quando lhes convém, como foi recentemente, para legitimar o golpe e agora, para legitimar as reformas politica, e econômica conservadora, a fim de garantir os seus status quo e a obediência passiva do cidadão que eles utilizam da divulgação midiática em massa. Isso já aconteceu no Brasil com o “fora Collor” quando, se utilizaram das “massas” e depois que tomaram o poder com FHC, privatizou tudo, entregou tudo ao capital estrangeiro e nacional como agora quer fazer o golpista Temer, esvaziar o ensino superior, tirando o acesso das classes C, D e E, (essa ultima, nunca teve acesso) em detrimento das classes A e B.

Por isso, qualquer que seja a atividade profissional futura ou projeto de vida, enquanto pessoa e cidadão, o sujeito precisa da reflexão sadia sobre a politica e a economia para o alargamento da consciência critica, para o exercício da capacidade humana de se interrogar e para a participação mais ativa na sociedade em que vive.

Portanto, tenho quase dois mil amigos na Rede social, se cada um compartilhar esse texto, ele chegará a milhares de pessoas e aí, você estará ajudando na informação e esclarecimento do que acontece no país, no atual momento de crise.

Veja mais em: http//:blogdocardozo3333.blogspot.com/sustentabilidadeemrede

*Jeorge Luiz Cardozo é graduado em filosofia e mestre em políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

-Friedrich Engels e as ciências da natureza

Friedrich Engels e as ciências da natureza
OLIVAL FREIRE JR.*PUBLICADO EM 01.11.1995
Especialista que dominava a cultura científica de seu tempo, o companheiro de Marx fundamentou a visão dialética do conhecimento científico.
     
Descrição: http://www.grabois.org.br/uploads/cache/357_0/57d66f1dc9aacb6d52d70f1578df7264.jpeg
A melhor forma de homenagear os que desapareceram é investigar o significado de sua obra (sua ação e reflexão) para os dias atuais. Trata-se de um clássico, de uma obra perene na história da civilização, ou de obra efêmera, transitória? Da vasta reflexão de Engels quero destacar para exame o tema das suas análises sobre a ciência da natureza e a matemática. Essa escolha carrega, sem dúvida, um viés profissional, mas traz a vantagem de singularizar a contribuição de Engels na vasta obra elaborada em conjunto com Karl Marx, sendo também tema de grande relevância nas sociedades contemporâneas. Ciências da natureza eram preocupação comum entre Marx e Engels, mas era maior a especialização de Engels nessas questões, exceto no caso das matemáticas. Essa singularidade da contribuição de Engels é fato conhecido pelo próprio Marx, que diversas vezes referiu-se em cartas, entre 1873 e 1883, ao valor teórico do projeto de Engels de escrever uma obra sobre a dialética e as ciências naturais (1).

Examino, de início, as motivações que levaram Engels e Marx a dedicarem tanta atenção ao desenvolvimento das matemáticas e das ciências da natureza. A leitura do conjunto dos fragmentos de suas correspondências versando sobre o tema, bem como de suas obras publicadas, nos permite destacar duas motivações, pela sua atualidade. Há, nessa obra, toda uma preocupação com a análise da influência das “visões de mundo” – preocupação expressa nitidamente na Dialética da natureza de Engels. Trata-se claramente de uma preocupação com dimensão filosófica, e também social, das ideias científicas. Note-se que uma preocupação com a dimensão filosófica das inovações científicas atravessou todo o século XX, sendo inclusive uma preocupação academicamente bem definida. Uma preocupação com a dimensão social das ideias científicas esboçou-se nos anos 30 com os trabalhos de marxistas como Hessen e Bernal e de sociólogos não marxistas como Merton e Weber, mas só adquiriu carta de cidadania acadêmica no pós-Segunda Guerra.

A outra motivação, de imensa atualidade, diz respeito à influência das inovações científicas na produção material. Marx preocupa-se especialmente com a influência da química na agricultura e com a possibilidade de transmitir energia elétrica com altas tensões a grandes distâncias. Observa-se também que foi exatamente no curso do século XIX, em especial na segunda metade, que, pela primeira vez na história, teorias científicas foram aplicadas à produção, configurando o que chamamos de tecnologia para distinguir das técnicas onde não há essa aplicação consciente de princípios científicos. As indústrias química e elétrica estão entre as primeiras beneficiadas por essa interação.

Apenas para realçar essa característica inovadora, é bom lembrar que a revolução industrial, tendo a máquina a vapor como carro chefe, não foi antecedida pela ciência; pelo contrário, o surgimento da disciplina termodinâmica pelas mãos do engenheiro francês Sadi Carnot, no inicio do século XIX, sucedeu ao uso em larga escala da máquina a vapor. Desnecessário frisar, neste final do século XX, a contemporaneidade do papel da ciência na produção dos bens materiais. A luta política em curso no mundo, e nesses dias no Brasil em particular, em torno da questão das patentes, nos diz claramente que ninguém subestima esse papel da ciência. As reflexões engelsianas sobre as ciências da natureza são, portanto, atuais, e por isso clássicas, por se tratarem de reflexões sobre os problemas atuais, contemporâneos. Resta agora examinar o valor intrínseco dessas reflexões. Mas, antes, comento algumas razões mais conjunturais que levaram Engels à sua preocupação com as ciências da natureza.

Marx e Engels buscaram apoio nas novas aquisições científicas nas ciências da natureza para os conceitos e teorias que haviam elaborado sobre o desenvolvimento da sociedade capitalista. Marx, ao ler A origem das espécies, de Darwin, escreveu para Engels: “neste livro se encontra o fundamento histórico-natural de nossa ideia (2). Não se trata, contudo, de uma perspectiva positivista de estender para a sociedade categorias e métodos próprios das ciências da natureza (no sentido da “física social” comteana), mas, sim, de buscar apoio em outras disciplinas científicas para os conceitos sobre a sociedade, já elaborados com metodologia própria. Trata-se de uma busca de implicações filosóficas mais amplas, decorrentes de certos resultados das ciências da natureza. A posição de Engels sobre a relação ciências da natureza e ciências da sociedade está bem expressa na carta de Engels para Marx (3) onde ele analisa a pretensão de Podolinski, darwinista e socialista ucraniano, de extrair lições das ciências da natureza para a luta pelo socialismo. Após analisar o conteúdo concreto dos problemas postos, Engels concluiu:

“Podolinski, partindo desta descoberta muito valiosa, se extraviou por caminhos equivocados porque esteve tratando de encontrar na ciência da natureza uma nova demonstração da verdade do socialismo, e com isto confundiu a economia com a física”.

Outra razão para a atenção devotada às ciências da natureza foi combater a influência, crescente na segunda metade do século XIX, de associação entre ciências da natureza e um materialismo de tipo mecanicista ou mesmo vulgar. Os porta-vozes dessa identificação eram muitas vezes membros atuantes do próprio movimento socialista, como Büchner, ou então acadêmicos que se pretendiam socialistas, mas divergiam em questões essenciais das formulações engelsianas e marxianas, como Dühring. Foi essa motivação propriamente militante que levou Engels a escrever o Anti-Dühring e a iniciar os estudos sobre a pretendida obra Dialética da Natureza, inconclusa devido ao seu envolvimento com a edição de O Capital, após o desaparecimento de Marx, em 1883.

Com isso, considero infundada a tentativa de certos autores de ver nas preocupações de Engels com as ciências da natureza uma influência positivista, como se Engels, e mesmo Marx, buscassem legitimar as conclusões de seu estudo nas sociedades nos êxitos das ciências naturais, transpondo destas últimas conceitos, teorias e métodos para o estudo da sociedade. No desenvolvimento do marxismo, contudo, cristalizaram-se significativas influências positivistas, indo-se ao ponto de ir buscar nas ciências da natureza (especificamente no materialismo dialético) o fundamento para o estudo da sociedade (materialismo histórico) (4). Não se pode, contudo, encontrar, no próprio pensamento de Marx e Engels, raízes teóricas para essa tendência. No Brasil, no início dos anos 80, essa questão foi levantada por Adelmo Genro Filho que, pretextando a crítica a tendências naturalistas no seio do marxismo, em especial no Materialismo dialético e materialismo histórico, de Stalin, considerou Engels o responsável teórico pelo que denominou de “dogmatismo naturalista”, propondo-se a tarefa de escrever o que chamou de Anti-Engels. A ausência de fundamento para uma tese dessa natureza foi muito bem demonstrada em resposta esclarecedora de Caio Navarro de Toledo, intitulada, significativamente, O anti-engelsismo: um compromisso contra o materialismo (5).

Muitos pensadores marxistas têm, ao longo de todo o século XX, valorizado as reflexões de Engels sobre as ciências da natureza como estudos que estabeleceram uma dialética da natureza. Defendem esse estudo engelsiano pelo seu lado ontológico, isto é, pretendem que Engels teria demonstrado que as leis e categorias dialéticas operam na própria natureza, logo operam também na sociedade e no pensamento. Acredito que tais tentativas procuram o valor desses estudos pelo lado errado, ou, pelo menos, pelo seu lado mais controverso, e deixam de lado o valor maior dessas reflexões, que considerou inquestionável. Tal valor está presente na sua dimensão epistemológica, isto é, enquanto análise crítica do conhecimento científico existente. Deter-me-ei, mais adiante, nesse último aspecto, mas quero antes tecer alguns comentários sobre aquela dimensão ontológica.

O projeto de Engels – fundar a dialética na natureza, ou nas ciências da natureza – é um projeto que tem coerência lógica em termos de unidade e economia do pensamento. A dialética hegeliana era consistente porque se tratava de uma dialética do pensamento, dos conceitos, sendo a realidade material (que, para os materialistas, tem existência independente dos conceitos), para Hegel – expressão do idealismo clássico alemão – uma realização do espírito; logo, das ideias. Para se compreender melhor a consistência da formulação de Hegel, é bom lembrar que ele se voltou contra a pretensão universalizante da mecânica newtoniana, por perceber conflitos entre a dialética e certas visões subjacentes àquela disciplina científica. É bem verdade que fez isso sem muito êxito. Quando Marx busca preservar o núcleo racional da dialética hegeliana, mas considerando que “o ideal não é senão material transposto e traduzido no cérebro humano” ( Marx, O Capital, posfácio da segunda edição), fica colocado o problema de evidenciar o núcleo racional hegeliano no material, e não mais no ideal. Marx e Engels resolveram esse problema com êxito, se considerarmos o material como a história, em especial a história das sociedades humanas. Resolver esse mesmo problema considerando natureza e sociedade era algo inscrito na lógica teórica do programa de Marx e Engels.
Foi também, e nunca será demais frisar, uma tarefa que Marx não chegou a enfrentar, e que Engels deixou inacabada. É também tarefa não isenta de problemas, inclusive teóricos.

“Evidenciar os princípios da dialética na natureza ainda é um projeto aberto”

A principal dificuldade, a nosso ver, é que a busca de princípios dialéticos na natureza passa, obviamente, pela investigação desses princípios nas teorias das ciências da natureza. Dificuldades para identificar esses princípios na formulação dessas teorias sempre poderão ser atribuídas ao insuficiente desenvolvimento da própria ciência. É o caso, por exemplo, da lei da dialética da negação da negação, difícil de ser evidenciada, mesmo em teorias bem estabelecidas. Além disso, muitos cientistas contemporâneos argumentam que o coroamento de uma teoria física só ocorre quando tais teorias são axiomatizadas, e axiomas não são, seguramente, os melhores meios para evidenciar princípios dialéticos. Observe-se, nesse sentido, posição de Michel Paty em polêmica com Mario Bunge, quando o primeiro argumenta que Bunge procura a dialética no local errado, nas teorias axiomatizadas – e, como não a encontra, refuta a dialética nas ciências da natureza – quando os aspectos dialéticos foram evidenciados no estudo, ainda recente, do processo de produção das novas teorias (6). Nesse sentido a atitude teórica razoável é considerar o projeto engelsiano de evidenciar os princípios da dialética operando na natureza como um problema aberto ainda hoje, bem menos elaborado do que dialética hegeliana e dialética marxista (materialismo histórico). Penso que as leis da dialética, como enunciadas por Engels, na Dialética da natureza, não podem ser tomadas pelos marxistas como obra acabada, mas como simples ponto de partida para o desenvolvimento da própria dialética (7).

“Insights de Engels prenunciaram as teorias do nosso século sobre a natureza”

O valor atual da reflexão de Engels em Dialética da Natureza deve ser buscado na condição de uma reflexão filosófica sobre a natureza como a conhecemos pelas teorias científicas. Logo, é também reflexão sobre as próprias teorias científicas. É, portanto, epistemologia, compreendida esta última como crítica do conhecimento científico existente. Epistemologia não pode ser identificada à gnosiologia enquanto teoria do conhecimento. Essa última é um problema filosófico mais vasto que, contudo, pode ser instruído pela análise crítica das teorias científicas existentes. Nessa direção, a epistemologia compõe com outras disciplinas (metodologia, história, sociologia) um campo interdisciplinar próprio, só constituído no curso deste século, que permite a análise crítica multilateral do fenômeno ciência moderna. A epistemologia é essencial para a história das ciências e só pode ser adequadamente desenvolvida tomando-se por base a ciência em seu processo histórico. Epistemologia e história das ciências são campos abertos, em desenvolvimento, com significativas contribuições externas ao campo marxista. Veja-se, por exemplo, contribuições, entre outras, de Bachelard, Popper e Kuhn.

A história da própria constituição da ciência moderna, no século XVII, tem se revelado profundamente dialética, mas só nos fins do século XIX e início do século XX evidenciou-se que a ciência moderna tem história sem fim, com sucessão de teorias igualmente científicas. O surgimento de novas teorias pode configurar-se como verdadeira revolução científica. A negação das teorias anteriores tem o sentido da negação dialética, não se tratando de destruição da teoria anterior, mas de delimitação da sua validade. Essa característica foi inaugurada na matemática com as geometrias não-euclidianas, e na física com as teorias relativistas e quânticas.

Dos estudos inacabados de Engels sobre as ciências da natureza, a reflexão mais profunda, a meu ver, é a análise crítica da disciplina científica que havia adquirido um elevado grau de acabamento no século XIX, a mecânica clássica, formulada originariamente por Isaac Newton no século XVII, com desenvolvimentos ulteriores de Maupertuis, Euler, D’Alembert, Lagrange, Laplace e Hamilton, entre outros. Tais críticas foram formuladas em período no qual a “sacrossanta” mecânica newtoniana desfrutava o seu apogeu entre os cientistas, e não se acumulavam problemas que indicassem uma possível crise nos fundamentos dessa teoria.

Apoiando-se exclusivamente em considerações filosóficas de ordem dialética, Engels considerou o tipo de determinismo implícito na mecânica clássica como uma forma de fatalismo (8) e, em uma das mais belas páginas literárias da história da ciência (9), defendendo um universo que evolui, desenvolve-se no espaço e no tempo, criticou a mecânica newtoniana pela sua cosmologia (logo, pela sua visão de mundo implícita) estacionária, sem história, sem desenvolvimento, enfim, um mundo dominado por uma descrição fatalista.

O leitor, instruído cientificamente pelas aquisições da física do século XX, verá nesses insights engelsianos um prenúncio das teorias relativistas e quânticas, e da cosmologia do nosso século, admirando-se, portanto, da imensa atualidade das idéias engelsianas nas ciências da natureza e, principalmente, admirando-se do valor, para o desenvolvimento da cultura, da análise crítica dos conhecimentos científicos existentes. No seu esforço de crítica ao que poderíamos chamar de newtonianismo, nem sempre Engels formulou os melhores argumentos (10), mas a fraqueza destes, revelada apenas com o desenvolvimento ulterior da ciência e da história da ciência, não diminui o valor atual dos manuscritos inacabados de Engels enquanto obra crítica, em especial de crítica ao mecanicismo.

Arrisco a conjectura de que se a Dialética da natureza tivesse sido efetivamente publicada em fins do século passado, seu impacto na cultura e na ciência teria sido comparável à influência – suprema ironia para a história do marxismo – da crítica à mecânica desenvolvida por Ernst Mach. Suprema ironia porque, como se sabe, Mach foi um dos principais alvos da crítica de Lênin no Materialismo e empiriocriticismo. A crítica de Lênin dirigia-se, contudo, ao Mach filósofo, e não ao Mach físico, como, aliás, ressaltado por Lênin. A contribuição de Mach a que me refiro prende-se precisamente à sua crítica epistemológica à mecânica newtoniana, e contribui para abalar a confiança ilimitada que se tinha na ciência newtoniana e, desse modo, ainda que indiretamente, para abrir caminho ao surgimento da teoria da relatividade.

Detive-me, até aqui, na consideração das reflexões de Engels sobre as ciências da natureza, deixadas em estado inacabado nos fragmentos da Dialética da Natureza. Elas têm uma inequívoca dimensão filosófica, mas não esgotam a reflexão filosófica própria de Engels, presentes em obras como Anti-Düring e Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. Não pretendo elaborar sobre essa dimensão mais abrangente da obra de Engels, também objeto de intensas e prolongadas controvérsias na história do marxismo, mas comentar um aspecto que me parece objeto de reiteradas incompreensões. Trata-se do sentido da atitude crítica de Engels face à obra de Kant.

“Engels criticou aspectos da obra de Kant, mas não esqueceu o papel do sujeito consciente”

A crítica de Engels se volta contra o agnosticismo e o apriorismo kantianos, e não contra o papel ativo do sujeito na elaboração do conhecimento (11). Isso não foi bem compreendido por vastos círculos do marxismo do nosso século, que retrocederam, no terreno da teoria do conhecimento, da posição engelsiana para uma posição empirista, a exemplo da consideração da “teoria do reflexo” como um sucedânea para uma teoria do conhecimento. A defesa do materialismo, ou do realismo, face ao idealismo, ou à sua vertente convencionalista, não é incompatível, contudo, com um papel ativo do sujeito. No que pesem imprecisões, ou mesmo insuficiências, nas formulações filosóficas de Engels, Marx e Engels não eram empiristas, nem indutivistas; ao contrário, defendem a história, e não qualquer critério lógico, como garantia de que o conhecimento pode representar o real, pois é dele, em última instância, derivado. Marx sustentou que “a questão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade objetiva não é uma questão da teoria, mas uma questão prática”, na segunda tese das Teses sobre Feuerbach (12). A propósito, observo que a complexidade da elaboração de uma teoria do conhecimento foi melhor compreendida por Lênin não quando da elaboração do Materialismo e empiriocriticismo, em 1908, mas sim a partir de 1914, quando aprofundou seus estudos em filosofia, lendo Hegel e Aristóteles, por exemplo. Entre suas anotações, não desenvolvidas ulteriormente (13), encontramos fragmentos que revelam uma compreensão sobre a questão mais aprofundada que aquela formulada em 1908. A incompreensão, no âmbito do marxismo, que aqui apontamos, revelou-se ainda grave porque toda a ciência do século XX aprofundou a natureza abstrata (ideal) do objeto das ciências, com a matemática adquirindo, no caso das ciências da natureza, verdadeiro papel criador de conhecimentos novos, e não de mero instrumento para expressar ideias concebidas clara e intuitivamente (14).

As formulações de Engels sobre a ciência da natureza são, portanto, de grande significado para a história e a filosofia contemporânea das ciências. São reflexões a serem incorporadas ao patrimônio teórico do marxismo, evitando tendências, presentes no nosso século, seja de reduzir as ciências naturais a meros integrantes das forças produtivas, desconsiderando sua dimensão cultural mais ampla, seja de reduzi-las a meros reflexos ideológicos, equívoco presente no fenômeno, de triste lembrança do lyssenkismo (15). Compreender a relativa autonomia do desenvolvimento científico seria uma aquisição duradoura para o futuro do socialismo. Exemplo prático dessa compreensão, a ser incorporada positivamente ao legado do marxismo, foi a atitude de Lênin face à Academia de Ciências, herdada da época czarista, nos primeiros anos do jovem poder soviético. A manutenção da Academia de Ciências, de sua autonomia e de seus quadros científicos, mesmo nas difíceis condições materiais de uma guerra, revelou compreensão de que a ciência se apóia no tênue fio da continuidade. A sabedoria de Lênin foi mais avançada que a dos revolucionários franceses de 1789, que fecharam a tradicional Academia de Ciências de Paris (16).

Concluo afirmando que Engels é precursor de uma disciplina cujas características ainda não estão plenamente configuradas, que toma por objeto de estudo, para uma análise crítica, a própria existência moderna. Uma crítica marxista à ciência moderna contribuiria para retirar sustentação de correntes irracionalistas (ditas pós-modernas) que se apoiam no sentimento dos que têm presenciado as explosões atômicas e os desastres ecológicos e resvalam para o equívoco da crítica unilateral ao papel das ciências nas sociedades contemporâneas.

* Doutor em História pela USP e professor do Instituto de Física da UFBA. Este artigo é uma versão da exposição feita na PUC/SP no seminário dedicado ao centenário da morte de Engels e na 8ª Conferência Nacional do PCdoB.

Notas

(1) Ver, em especial, Carta de Engels a Marx, 30-05-1873, com o projeto de escrever sobre a dialética nas ciências naturais, e de Marx a W. Liebknecht, 07-10-1876, sobre sua opinião acerca do significado do projeto de Engels. In MARX, Karl, ENGELS, Friedrich. Cartas sobre las ciencias de la natureza y las matematicas. Barcelona: Anagrama, 1975, p. 78-80 e 89. A maior competência de Engels para executar tal projeto está bem evidente, por exemplo, nas discussões sobre o valor da obra de Pierre Trémaux, sobre o papel do mecanismo da evolução; ver nas cartas de Marx e Engels, 07-08-1866, 13-08-1866, 31-1001866; de Engels e Marx, 10-08-1866, 02-10-1866 e 05-10-1866, e Marx a L. Kugelmann, 09-06-1866. In Cartas, p. 48-57.
(2) Carta de Marx a Engels, 19-12-1860. In Cartas, p. 22.
(3) Cartas de Engels a Marx, 19-12-1882, In Cartas, p. 109-112.
(4) Para uma exposição mais desenvolvida de meu pensamento sobre essa questão, ver FREIRE JR., Olival. Sobre “As raízes sociais e econômicas dos “Principia de Newton”, Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência, 9, p. 51-64, 1993.
(5) GENRO FILHO, Adelmo, “Introdução á crítica do dogmatismo”, Teoria & Política, 1, 1980, 81-95, e “Sobre Engels e o dogmatismo”, Teoria & Política, 3, 1981, 112-144; TOLEDO, Caio Navarro de . “O antiengelsismo: um compromisso contra o materialismo”. Teoria & política, 2, 1980, 91-116. Agradeço a Duarte Pereira por ter chamado a minha atenção para esse relevante debate.
(6) PATY, Michel. “Note sur la dialectique et l’evaluation des theories”. La Pensée, 188, p. 125-7, 1976.
(7) Um estudo circunstanciado e recente, nessa direção, é o de BRANCO, João Maria de Freitas. Dialética , ciência e natureza – Um estudo sobre a noção de “dialética da natureza”, no quadro do pensamento científico moderno. Lisboa: Editorial Caminho, 1990. Esse interessante estudo ressente-se de uma dificuldade, talvez inevitável, de uma compreensão superficial sobre certos tópicos da história do pensamento científico. É o caso da controvérsia sobre a interpretação da física quântica, onde o autor identifica a posição de Engels face ao problema de determinismo, com as posições de Einstein e Planck. Argumentei, em outro lugar, que a posição de Engels e de Gramsci sobre essa questão seria mais próxima da posição de Niels Bohr e de Paul Langevin. Ver FREIRE JR., Olival. Estudo sobre interpretações (1927-1947) da teoria quântica: epistemologia e física, dissertação de mestrado, USP, 1991, publicado em HAMBURGER, A. I. (org.). Caderno sobre ensaio de conceitos em Física, v. III, USP, 1991; FREIRE JR., Olival. “L’interpretation de la mécanique quantique selon Paul Langevin”, La pensée, 292, 117-134, 1993.
(8) ENGELS, Friedrich. Dialética da natureza. Rio de Janeiro: Paz e terra, 3ª ed, 1979, p. 177-180.
(9) Prefácio da Dialética da natureza.
(10) A exemplo da defesa que faz da hipótese da nebulosa, formulada por Laplace; e da sua dúvida quanto à autoria de Newton na elaboração do cálculo diferencial de forma independente de Leibniz. A análise, no século XX, de manuscritos newtonianos até então desconhecidos nos revelou que aquele Newton criticado por Engels era mais precisamente o Newton que nos foi transmitido pelo século XVIII que uma reconstituição da obra newtoniana. Ver WESTFALL, Richard S. A vida de Isaac Newton. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
(11) Para uma análise mais detalhada desta questão ver DAN, Clara.
“Empirismo y realismo de Marx a Piaget”, in GODELIER et alii. Epistemologia y marxismo. Barcelona: Martinez Roca, 1974, p. 180-209.
(12) Escritas por Marx em 1845, mas só publicadas em 1888, após a morte de Marx, por Engels, como apêndice à edição de seu livro Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã.
(13) Publicadas postumamente com o título Cadernos filosóficos.
(14) Para uma análise atual dessa questão ver livro de Michel Paty A matéria roubada, São Paul, Edusp, 1995.
(15) Para uma análise desse aspecto ver FREIRE JR., Olival. “Ciência e filosofia na experiência socialista”.
Princípios, 21, 1991, p. 70-78.
(16) Ver GRAHAM, Loren. Science in Russia and the Soviet Union.
Cambridge University Press, 1993.

EDIÇÃO 39, NOV/DEZ/JAN, 1994-1995, PÁGINAS 28, 29, 30, 31, 32


sábado, 26 de novembro de 2016

-MORRE UM DOS ICONES SO SÉCULO XX, FIDEL CASTRO!

Por Jeorge Cardozo


O fenômeno do socialismo no século XX faleceu hoje com mais de 80 anos. Fidel Castro foi amado e odiado do ocidente ao oriente, por liderar, ao lado de Che Guevara, meia dúzia de maltrapilhos guerrilheiros contra a potência econômico e militar do mundo atual, EUA. Pode ser considerado simplesmente como um líder facilitador dos estágios anticapitalista. Ou, mais simbolicamente, como um modelo, em grande escala, de todo o processo de resistência, contra hegemônica, mostrando, sob condições simples, o essencial do que acontece quando um líder, um político ou o revolucionário criativo enfrenta o mundo capitalista. Finalmente, as transformações causadas pela sua ousadia prolongaram a outros cantos do mundo e pode ser considerado identicamente ao que se costuma denominar criatividade de “nanico” contra os famigerados gigantes. Neste caso, o verdadeiro legado do líder revolucionário cubano seria nada mais espetacular e humilhador para a potência econômica e militar Norte Americana, ter que suportar, em pleno “quintal”, a ideologia socialista de David contra Golias. Resumidamente, é isso que Fidel representou até a sua morte na velhice, o David socialista, contra o gigante Golias capitalista. Portanto, morre o homem Fidel e fica o seu legado, de nunca ter baixado à guarda, apesar do famigerado Bloqueio Econômico imposto pelas potências capitalistas ocidentais. Viva Fidel, Viva o socialismo.