sexta-feira, 29 de março de 2024

A CRISE DE IDENTIDADE DAS ESQUERDAS E OS RUMOS DO PT

 

por Jeorge Cardozo*


Há uma crise de identidade nas esquerdas mundial, com reflexo na nacional.

No caso brasileiro que devemos fazer uma análise pormenorizada na conjuntura política atual, pré eleições municipais que terá reflexos direto na eleição nacional de 2026. Mas esse não apenas o fim do abismo, entre outros. Mais do que isso, a reflexão crítico - teórica a que me proponho a preconizar neste texto, passa também pela eleição municipal montesclarense do ano em epígrafe.

Ao analisar o atual estágio das esquerdas, no caso aqui, vamos nos atermos ao caso brasileiro. Não que esse problema seja só nacional, mas, também de caráter transnacionais. Mas, por uma questão da grande dimensão do tema ora proposto, vamos nos concentrarmos à questão local brasileira, com resquícios nos estados e municípios.

Ao dialogar com a problemática citadas na introdução, entendemos que a perda de identidade das esquerdas remota, ainda, a queda do muro de Berlim e a consequente derrota do Império Comunista Soviético, no final dos anos 80 e início dos 90, culminando com a globalização e as três derrotas eleitorais de Lula, quais sejam, 89, 94 e 98, e a consequente mudança de rumo do partido, para a disputa de 2002. 

Até às derrotas de 89, 94 e 98,  o PT fazia a disputa política e ideológica, baseada na luta de classe preconizada nas ideias de Marx e Engels, porém, com às derrotas narradas acima, veio do próprio Lula, a ideia de mudanças de paradigma dentro do PT.

Para tal enfoque, grupos ditos de esquerda, de caráter marxista, foram sendo expurgado do PT, como o caso do grupo que formou o PCO; depois os que formaram o PSTU; o grupo que formou o PSOL e por último, o grupo que formou a Rede. 

Esses grupos quando ainda estavam no PT, e ganhavam os encontros nacionais, aliados a outros grupos remanescentes dentro do PT, davam um tom de esquerda radical ao partido e tinha no socialismo o seu caminho natural. Portanto, foram esses três paradigmas que o PT se utilizou nas eleições derrotadas de 89, 94 e 98, que, de alguma forma, não agradavam aos setores dominantes do capital, em todas as suas esferas.

Obviamente que Lula nunca foi um esquerdista convicto, não obstante, que o mesmo foi tomar curso de sindicalismo nos Estados Unidos, em detrimento da União Soviética, até então, centro do socialismo deturpado de autrora.

Após às derrotas de 89, 94 e 98, Lula chega para as eleições de 2002, com "novas" ideias, tirar o PT de uma política ideológicas de esquerda socialistas de caráter marxista, para o paradigma social liberal a lá Keynes. Para tal enfoque, liderou as expulsões dos grupos todos como radicais de esquerda citados acima do partido, impondo, para a disputa de 2002, o paradigma keneysiano ao encontro nacional do PT. Vitorioso com sua tese, de um PT social liberal, buscou costurar aliança com os setores empresariais progressistas , e como consequências desse novo  paradigma petista, convidou um ícone do empresariado progressista José de Alencar, de um estado importante e estratégico eleitoralmente, como Minas Gerais, para ser o seu vice.

Com essa aliança social liberal, ou seja, lembrando um "morcego", agora o PT e o setor empresarial pôde "morder e assoprar" ao mesmo tempo. Intensificando as políticas sociais iniciadas de forma "caduca" nos governos de FHC, as políticas sociais foram incorporadas e aperfeiçoadas nos governos petistas, em comum acordo com os setores empresariais progressistas. Obviamente, que essa aliança entre PT e empresariados progressistas, matou os planos políticos do PSDB, mas, destarte, reascendeu a extrema direita.

A extrema direita que, desde a queda do regime militar pós 64, estava na periferia da política, foi se restruturando, principalmente com o advento globalização e com as suas consequências; avanços significativos das mídias sociais, bem utilizadas por esses setores, mais conservadores; e os fatores principais para isso, foram dois, ao meu ver, quais sejam: o uso do capital, já que esses setores são oriundos das classes A e B, e do seu grau de conhecimento, favorecendo o uso e a divulgação de suas ideias políticas e ideológicas, de forma que acabou por atingir um eleitorado que, até então, se identificavam com as ideias de esquerda, tanto na classe B, como chegou as classes C, D e até na E, mesmo que alienadamente.

Destarte, as esquerdas foram ficando inertes, principalmente por ter ganho o poder com Lula em 2002. Ainda que o Lula de 2002, como dissera no início desse texto, não se considera mais um esquerdista radical e sim, um social liberal a lá Keynes. Dessa forma, Lula que já era maior que o PT, tornou-se imperador dentro do PT, de forma que, junto com ele, foi se estabelecendo uma "velharia" que inibe a renovação de quadros, de ideias, de paradigmas, chegando agora, a metade do trigissimo ano do século XXI, como um partido sem renovação, perdido na disputa política e ideológica e sem quadros com credibilidades nas disputas por virem.

Isso fica claro, quando o PT nacional interfere de forma provinciana nas disputas regionais, sempre em detrimento a dos novos quadros emergentes, como: Marília Arraes, em Pernambuco, Lisiane Lins, no Ceará, Robison Almeida, na Bahia, e etc.

Para a eleição deste ano, o PT, praticamente, não têm quadros competitivos nas maiorias das capitais e médias e grandes cidades importantes da federação.

A falta de quadros é gritante. Nem nos estados governados pelo partido, como na Bahia ou na Paraíba, ou até mesmo no Ceará, o partido consegue quadros competitivos. As renovações praticamente não existem; os espaços de disputa política e ideológica vem sendo captados pela extrema direita; perderam os espaços de discussão, disputas, nas instituições religiosas, educacionais e até sindical. 

Vamos ao caso de Montes Claros-MG. Aqui, o PT têm dois parlamentares eleitos Leninha na Assembleia Legislativa e Paulo Guedes na Câmara Federal. Este último, embora não seja filho nato da terra, têm uma história com a cidade de Montes Claros-MG que o credencia a fazer a disputa política local, mas, apesar de ser um parlamentar aguerrido, com muito trabalho realizado em todo o Norte Mineiro, não se apresenta, ainda, como um candidato competitivo para os montesclarense, em parte, por tudo que escrevi acima, e, em outra vibe, pelo fato de o PT local está passando pela mesma inércia do estadual e do nacional.

Nós militantes, formadores de opiniões, colaboradores diretos, não temos espaço de debate político ideológico idealizado pelo partido, não temos direcionamentos responsável das ações política, até mesmo os pré candidatos que se apresentam com história dentro do partido, são ouvidos, a priori.

Faltam pouco mais de seis meses para o pleito municipal, tudo está sendo levados com a "barriga", não há fórum de discussão sobre a política local, sobre os rumos que vão levar a pré campanha, do pré candidato do Partido Paulo Guedes; temos um prefeito com uma série de problemas gestacional, mas, com uma boa avaliação perante o eleitorado, pelo simples fatos de os gestores anteriores, terem sido piores que ele, o faz "herói" por tapar buraco nas ruas centrais da cidade, por asfaltar determinadas áreas urbanas, por construir viadutos e pontes, nas, destarte, se esqueceu da saúde, não há médicos nem para as crianças; educação está de mal a pior; esportes, os campos de várzea estão fazendo vergonha, não há política para a cultura; as praças públicas é só lixo e matos; os parques municipal só faz paliativos para enganar a população; falou para a cidade toda de que iria reformar literalmente a lagoa da Pampulha, só fez paliativo e agora anuncia construção de um estádio de futebol, sem resolver o básico de uma gestão municipal, que é cuidar primeiro de sua gente e da cidade.

Os parques municipal estão uma vergonha, o Milton Prates, assim como o Sapucaia só paliativo, a exceção é o Sagarana, pois, quem frequenta ê uma pequena elite local, o resto é uma vergonha.

Portanto, temos vários problemas que um candidato que se apresente em oposição ao atual, com propostas claras e exequível, poderá se apresentar ao eleitorado e transformar Montes Claros-MG em uma cidade bem melhor para se viver, visitar e contemplar.

Cabe, portanto, a Paulo Guedes e Délio que se apresentam como pré candidatos progressistas debater e apresentar um projeto exequível de verdade e que leve credibilidade ao eleitorado, como mudança de verdade, mas, para isso, não podemos esperar o processo eleitoral chegar, para se fazer este debate, pois, será tarde demais. 

Por esta causa, cabe a militância, os pré candidatos a vereadores, a prefeito, os intelectuais orgânicos do partido, fazeram a diferença e serem os olhos e ouvidos da população, pois, se assim não o for, a derrota da centro esquerda será inevitável.


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*Jeorge Luiz Cardozo é militante do PT, agente, professor universitário, especialista em políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

NOVO ENSINO MÉDIO, FALÁCIAS PARA ENGANAR TROUXA'

 'NOVO ENSINO MÉDIO, FALÁCIAS PARA ENGANAR TROUXA'


por Jeorge Cardozo


"Por 15 meses, a pandemia do novo coronavírus mantém os estudantes longe das escolas. De acordo com a Unicef, em 2020, cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à educação, além disso 1,38 milhão de estudantes com idades entre 6 e 17 anos, abandonaram as aulas no Brasil.


Em meio a todo o caos causado por essa fase de doença, morte e instabilidade no País, o governo federal e o estadual avançam com diversas medidas que precarizam ainda mais a educação pública e acentuam as desigualdades sociais já tão tão profundas.


O Programa de Ensino Integral (PEI) é uma dessas medidas. Traz uma roupagem de ampliação do tempo na escola, e consequentemente um aumento do aprendizado, com períodos de 7 à 9 horas escolares, mas na realidade não há uma ampliação dos currículos, muito menos adequação das escolas, o que torna a medida uma falácia, pois não haverá mais áreas do conhecimento para ampliar o aprendizado, sim uma extensão da quantidade de aulas e horas das disciplinas já tradicionais, principalmente Linguagens e Matemática, isso se for seguida a proposta da Reforma do Ensino Médio.


O PEI aumenta a evasão escolar, pois se o estudante não puder passar todo esse tempo na escola terá de sair, o que pode acarretar a ir pra mais longe de casa, e muitas vezes abandonar os estudos. Precariza as escolas do entorno, pois essas recebendo estudantes que não se adequaram serão ainda mais superlotadas. Há também redução na quantidade de docentes, de acordo com o Censo Escolar, de 2011-2018, houve redução de 27% dos professores nas escolas de ensino integral. Nas demais escolas da rede a queda foi de 8%.


As Escolas Cívico-Militares também avançam rapidamente, com 53 unidades aderindo em 2020 e 74 em 2021, o objetivo é instalar o total de 216 escolas cívico-militares em todo país até 2023. O projeto carrega a bandeira de que a militarização é a única chance da educação pública se salvar da indisciplina e da falta de resultados. A propaganda do governo se baseia nos bons índices das escolas militares, mas esquece de levar em conta que a maioria dessas escolas atende uma classe econômica muito superior à média geral dos atendidos pelas escolas regulares. Portanto, colocamos em discussão se é mesmo necessário um militar imprimindo na escola a formação de um “cidadão de bem”, baseado na opressão, na homogeneização dos corpos, na lógica mercadológica do capital, defensor da meritocracia e alinhado a valores conservadores ou um maior investimento na educação pública, nos estudantes de baixa renda e nos diversos bolsões da pobreza em São Paulo, objetivando a formação de seres críticos, autônomos, promotores de mudanças sociais.


Seriam necessários dois artigos distintos para pontuar todas as problemáticas dos programas mencionados, mas é necessário trazê-los à tona, pois ambos são o pano de fundo da Reforma do Ensino Médio e é dela que esse artigo trata. A mesma vem sendo implementada em 2021, com o estado de São Paulo, governado por João Dória Jr. (PSDB), pioneiro no estabelecimento da nova medida obrigatória do país. Essa proposta foi aprovada no governo do presidente do golpe, Michel Temer, em 2016.


Os jovens estudantes do primeiro ano do ensino médio tiveram até 8 de julho para escolherem as áreas que vão querer cursar em todo o período. Vão conquistar a tão propagandeada “autonomia”, no meio de uma pandemia, sem nenhum tipo de discussão e contato com seus professores, sem sequer entenderem direito do que se trata essa proposta, pois de acordo com os professores, foi passado pros estudantes apenas alguns textos introdutórios explicando do que se trata cada área do conhecimento.


É insustentável passar uma medida que retira horas e aulas dos Estudantes, que retira o direito a uma educação plural, focado em diversas áreas do conhecimento e que pode dar ao Jovem uma noção mínima de qualquer saber/área/conhecimento da vida e do mundo.


Os estudantes terão 10 opções de itinerários formativos que se relacionam com as matérias Gerais: linguagens, matemática, ciências da natureza e humanas e terá também a opção do ensino técnico-profissionalizante.


Significa que o estudante terá um ensino técnico integrado ao médio? NÃO, não é isso.


Primeiro porque uma dessas modalidades de ensino técnico, o Novotec Expresso, oferta cursos profissionalizantes que não se adequam aos critérios de carga horária e exigências de um técnico integrado. Ou seja, você aprende a realização de um trabalho, com o mínimo de preparo acadêmico, diminuindo as perspectivas de carreira, como a ida pra universidade.


Mas e o Novotec Integrado? Para o estudante ter seu certificado de técnico nessa modalidade, teria de passar pelo menos mais um ano na escola, já que os cursos técnicos precisam conter 3000 horas escolares, fora as horas de Trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC, e o NovoTec Integrado possui apenas 900 horas.


Nem toda escola dará todos os itinerários formativos, elas precisam ter ao menos dois dos itinerários. E o critério de escolha desses itinerários na unidade reflete ao interesse da maioria dos estudantes então, se a maioria dos estudantes da sua escola optarem pelo itinerário técnico profissionalizante e outro optar pelo itinerário de aprofundamento em humanidades, este só terá opção de fazer um ensino técnico profissionalizante, se não quiser terá de ir pra outra escola. Onde isso é liberdade se não há opção de escolha?


Os governos federal e estadual propagandeiam que se importam com a educação e na prática eliminam aulas plurais, atribuindo suas horas para disciplinas completamente voltadas ao mercado de trabalho precário, sem direito trabalhista, sem perspectiva de crescimento e desviando o destino de vários jovens que poderiam ir para as universidades. Como os estudantes irão realizar os vestibulares sendo que são cobrados conhecimentos mínimos de todas as áreas?


Os estudantes da escola pública terão cada vez menos perspectivas de saírem dos lugares comuns estabelecidos pela sociedade burguesa, branca, racista, patriarcal: o balcão do McDonald’s ou a P.A. do telemarketing.


Estão cada vez mais distantes das nossas realidades uma educação pública de qualidade, com participação de toda comunidade escolar e as nossas cadeiras nas universidades públicas. Mas isso não é novo". (Texto publicado em Carta Capital)

SOBRE A PRISÃO DE ROBERTO JEFFERSON

 SOBRE A PRISÃO DE ROBERTO JEFFERSON


por Jeorge Cardozo*


Utilizar-se de dinheiro público para atentar irresponsavelmente contra o Estado Democrático de Direito, financiar manifestação de cunho golpista em redes sociais e por outros meios, clamar abertamente por um golpe de Estado, se utilizar de porte e posse de armas de fogo para incentivar violência, tudo isso se utilizando de sua condição de presidente do PTB é legal ou crime?

Decretar de ofício a prisão preventiva de um criminoso como Roberto Jefferson, pela Suprema Corte, criminoso no 'Mensalão' e em vários outros atos ilícitos, como fez o ministro do STF Alexandre de Morais, trata-se de censura prévia, palavras de Augusto Aras da CGU, abuso de poder, crime ou medida amparada pela Constituição?

ART. 311. 'em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juíz, de ofício, se no decorrer da ação penal, ou requerimento do ministério público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial".

Portanto, não podemos confundir deliberadamente 'liberdade de expressão', com liberdade para delinquir. E quando são adnostados, justamente o que pregam: Estado policialesco. Desta forma, "não podemos confundir liberdade de expressão com crime, sob pena de se confundir crime com liberdade de expressão".

Portanto, prisão para Jefferson e todos os que conspira contra as instituições e contra o Estado Democrático de Direito.



MINISTRO DA DESEDUCAÇÃO MILTON RIBEIRO E O ESTILIONATO RELIGIOSO

 MINISTRO DA DESEDUCAÇÃO MILTON RIBEIRO E O ESTILIONATO RELIGIOSO


por Jeorge Cardozo


Mais uma vez na história, assim como aconteceu no Vietnã, humilhado o mundo presencia perplexamente, a mais uma derrotada americana no jogo da geopolítica mundial, contra o regime talibã no Afeganistão. Depois de 20 anos de guerra contra o império estadunidense e sem arranhar uma vírgula do seu poderio militar e ideológico, líderes espirituais assumem novamente o controle do país e impõem as normas da Lei da Sharia: tudo e todos estarão submetidos às leis religiosas e aos princípios da teocracia islâmica. Democracia, Estado democrático de direito, respeito às instituições estão descartados conforme pronunciamento de seus líderes.

Enquanto o mundo olha para o Afeganistão com repulsa e nojo, no Brasil avança o projeto neofascista teocrático patrocinado pelo governo Bolsonaro. Família, Pátria e Deus. O neofascismo teocrático em curso impõe ao país e à população um estoque inimaginável de retrocessos, em todas as áreas da vida econômica, sanitária, educacional, cultural, política, social etc. Os retrocessos nos direitos sociais mais elementares são vistos a olhos nus nas cidades brasileiras. A miséria assolando, humilhando e destruindo milhões de pessoas. A infância voltou aos sinais de trânsito, moradores de rua disputam marquises e praças país afora, a violência contra mulheres, crianças e idosos bate recordes diários, o desemprego assume proporções jamais vistas, quase 600 mil brasileiros foram mortos pela Covid-19, num governo que nega a ciência, a vacina e a própria doença, como fazem os talebans no Afeganistão. Como disse o presidente nos últimos dias: oremos para vencer a crise.

Ministro da Educação diz que diploma não adianta porque 'não tem emprego', como se conhecimento fosse só imperativo para mercado de trabalho e onde fica o exercício da cidadania, onde fica o conhecer por amor ao conhecimento e não por necessidade trivial.

Ministro da Educação diz que é 'impossível a convivência' com crianças com certo grau de deficiência.

O legado da educação protestante está em ruínas

Milton Ribeiro não está sozinho. 

Malala, a menina paquistanesa que enfrentou os talebans e foi alvejada em nome de Deus porque descumpria determinação dos líderes religiosos, governantes do país, depois da tentativa de assassinato ganhou vida e asas para propagandear o direito à infância e à educação. Conforme esses mesmos líderes e suas crenças religiosas, meninas não podem estudar e mulheres, na sociedade, são escravas sexuais de seus maridos. Portanto, meninas devem aprender desde cedo o lugar da mulher nessa sociedade machista, sectária e religiosa.


Malala sobreviveu, depois de ser transportada para Inglaterra e submetida a uma cirurgia para curar seus ferimentos provocados pelas balas da ignorância. Milhares de outras meninas, porém, não tiveram o mesmo destino. E essas são as mesmas armas e balas que o genocida Jair Bolsonaro propõe para suas milícias oficiais e extraoficiais, a lei do olho por olho, dente por dente. As mesmas armas que matam todos anos centenas de crianças e jovens em nossas periferias.


Contudo, os ferimentos de Malala serviram para denunciar ao mundo o direito de meninos e meninas, sejam de qual país forem, qual continente forem. Não importando cor, credo, raça, gênero, língua, todos e todas têm o mais sublime direito de acessar, permanecer e concluir uma educação de qualidade, laica, democrática, científica e capaz de formar gerações de seres humanos, com base no conhecimento científico acumulado ao longo da história. Que crianças, independentemente de suas origens e necessidades, tenham o direito SAGRADO de estudar.


No Brasil do século XXI, o governo e a educação foram tomados por seitas e conceitos análogos aos que propõe o Talibã para o Afeganistão. Vivemos, neste período, ataques fulminantes contra o direito de ensinar e aprender. Estamos sob a tentativa permanente de submeter a escola e a educação aos interesses de seitas religiosas e ideológicas que negam a ciência, a cultura, a história e a própria dimensão humana.


Essas seitas travestidas de religiões protestante, que no passado não tão distante criticaram e pregaram reformas na igreja católica por práticas de vendas de indulgência, cobrança de díssimo, vendas de curas e etc, hoje são campeões nessas práticas escusas,   atacam incansavelmente o conhecimento, a história, as ciências. Odeiam refletir e estudar a sexualidade humana e as questões que envolvem identidade de gênero e orientação sexual. Desenvolveram verdadeiras guerrilhas contra professores e educadores que buscam no seu fazer educacional, através do conhecimento e das ciências, construir uma sociedade mais humanista, iluminista e racionalista. A ideologia de gênero, a escola sem partido, o marxismo cultural foram apenas algumas das teorias construídas pelos grupos religiosos, neofascistas e conservadores ao longo deste tenebroso inverno brasileiro.


O ministro pastor Milton Ribeiro é parte construtiva deste talebanismo brasileiro que se apoderou do Ministério da Educação. A retirada de 40 bilhões de reais do orçamento da educação nos últimos quatro anos, o engavetamento do Plano Nacional de educação, a destruição das universidades públicas e da produção científica, a militarização da educação básica, a inexistência de um plano para enfrentar a tragédia educacional provocada pela Covid-19, a construção conspiratória de um marxismo cultural e o cerceamento do conhecimento, a reformas do ensino médio e a nova Base Nacional Comum Curricular são apenas exemplos da dimensão da destruição da educação nacional.


No entanto, o ministro da destruição educacional, Pastor Milton Ribeiro, ainda não está completamente saciado pelo desmonte e pela destruição da educação nacional. Oriundo do setor privado e com claros propósitos de privatizar a educação pública e entregá-la a grupos religiosos e/ou financeiros nacionais e internacionais, agora propõe ceder a gestão financeira das escolas públicas ao setor privado, criar vouchers para a educação infantil e impor a maior regressão orçamentária às universidades públicas, liquidando suas estruturas e sua autonomia.


Nesta semana, num ataque de talebanismo, de ignorância e de perversidade, disse que crianças com deficiência atrapalham a educação brasileira. O ministro demonstrou desconhecer a educação nacional e expôs toda a sua ignorância e arrogância. Tempos atrás defendeu a tese de castigo físico para educar crianças; imaginem o que não farão com os estudantes com deficiência nos depósitos de crianças que esse verme propõe. Destarte, ainda tem um monte de seguidores que se denominam de "homens de bem", sem nunca terem sido, para lhes dar apoio.


A política de inclusão educacional no Brasil avançou fortemente nos últimos anos, ganhando inclusive prêmios e menções de organizações internacionais de direitos humanos. É lógico que ainda será preciso fazer muito para melhorar e avançar nesse conceito político e pedagógico, proposto pela inclusão educacional. Para avançar, é preciso política pública, investimentos públicos, educadores, estruturas pedagógicas, humanas e materiais, ou seja, um conjunto de investimentos na política de inclusão. O ministro da deseducação, contudo, quer voltar ao passado, quer isolar as crianças com deficiência, criar depósito de pessoas com deficiência e isola-las da sociedade. Excluí-las.


Ministro Pastor Milton Ribeiro, taleban tupiniquim, se ainda lhe resta alguma dignidade, se ainda lhe resta algum humanismo, se ainda lhe resta alguma religiosidade, se ainda lhe resta algum caráter, faça um bem à humanidade, à educação e ao Brasil: DEMITA-SE em respeito às crianças deste País e, principalmente, àquelas que mais necessitam de uma educação inclusiva para avançar na sua formação integral e na sua condição humana.

QUEM SÃO AQUELES BRASILEIROS QUE FORAM AS RUAS ONTEM DEFENDER UM MILICIANO COMO DITADOR DO BRASIL.

 QUEM SÃO AQUELES BRASILEIROS QUE FORAM AS RUAS ONTEM DEFENDER UM MILICIANO COMO DITADOR DO BRASIL.


por Jeorge Cardozo


"Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, vive repetindo que fará o que o 'povo brasileiro' quiser que ele faça. Será mesmo, hein?


Assisti, com o devido cuidado e atenção, além de uma dose monumental de paciência, a diversos vídeos das manifestações de ontem.


Havia muita gente em Brasília e em São Paulo? Opa! Havia, sim. Bastante. Raras vezes se viu manifestações dessa magnitude em prol de um político.

Bolsonaro afundou o País, facilitou 600 mil mortes e agora quer impeachment

Retire Deus, Israel e a história do meu povo dessa boca profana, Bolsonaro

7 de setembro: chegou o grande dia de Bolsonaro, o arruaceiro institucional


E, justiça seja feita, exceto por um ou outro caso isolado, tudo transcorreu na mais perfeita ordem e paz, ainda que as reivindicações pedissem o contrário.


POVO? QUE POVO?


Anotem aí: 51% dos brasileiros são pretos ou pardos; 25% dos brasileiros são jovens entre 15 e 29 anos; no mínimo, 30% dos eleitores votaram e votam no PT em todas as eleições passadas.

Pergunto: onde estava essa gente toda ontem? Porque nas ruas, eu não a vi. Ao contrário. Como de costume, eu vi brancos, de meia idade, bem vestidos e bem nutridos.


É esse o 'povo brasileiro' em que Bolsonaro aposta e justifica sua sanha golpista criminosa? Se for, é bom tirar a moto da chuva. O povo brasileiro está longe de estar representado ali.


Aliás, no Rio de Janeiro, onde menos de 25 mil pessoas foram à Copacabana, um fato curioso: onde estavam os 500 mil eleitores do deputado Jair Bolsonaro? Em casa? Na praia?


BOLHA FANÁTICA, NADA MAIS


Jamais confiei em político que diz representar o tal povo, estar ao lado do povo, lutar pelo povo e blá blá blá. Muito menos político profissional, que vive há décadas do...povo!


Bolsonaro é só mais um populista safado que infesta a política nacional. Ele e sua família são usurpadores da boa fé e da ingenuidade do 'povo'. Vivem de rachadinhas, pô! 


Que diabo de 'povo' aceitaria ser subjugado e tiranizado por um ditador de quinta categoria? Que raio de 'povo' autoriza, fora do voto, um governante a dar fim à democracia?


Aquela gente toda que foi às ruas ontem, de 'povo brasileiro' não tem nada. É apenas uma horda de fanáticos em busca de sangue por suas frustrações e rancores cotidianos.


BOLSONAZISMO


Jamais compreendi como o povo alemão permitiu a Hitler fazer tudo o que fez. Ontem, ao ver milhares de fanáticos gritando 'eu autorizo', pude entender um pouco.


Sim, bolsonarismo, nazismo, fascismo e toda sorte de movimentos políticos de massa, centrados em mitos messiânicos, são semelhantes, ainda que diferentes.


Hitler culpava os judeus pelos males da Alemanha. Bolsonaro culpa o STF. Hitler pregava o extermínio dos judeus. Bolsonaro prega o fechamento do Supremo, para dizer o mínimo.


Se Moraes, Lula, Barroso ou qualquer outro inimigo imaginário do devoto da cloroquina aparecesse na Avenida Paulista ontem, qual seria seu destino senão o extermínio?


CONSERVADORES, MAS DEMOCRATAS


Parte povo brasileiro é conservador, sim. O povo brasileiro é religioso, sim. O povo brasileiro é avesso à política, sim. Mas o povo brasileiro é democrata! Ao menos 75% dele.

Bolsonaro apostou nas ruas como fiadoras de sua psicopatia autocrata, mas se deu mal. A única coisa que pode comemorar - e muito! - é ainda ser o 'mito' de tanta gente.

Só que isso não será capaz de, nessa ordem, 1) levar-lhe à reeleição; 2) impedir que seja julgado e condenado por seus inúmeros crimes; e 3) impedir sua prisão, ainda que demore.


Numa democracia, amparada por um legítimo Estado de Direito, pode-se muito, mas não pode-se tudo. O amigão do Queiroz foi muito além do permitido, ficou só e irá pagar. 


Assim como ocorreu com o meliante Hitler o miliciano Bolsonaro será largado - e relegado - a uma meia dúzia de fiéis inexpressivos, ignorantes e sem nenhum poder.


Não há na história recente, salvo as ditaduras em vigor, um tirano que não tenha encontrado uma forca ou a prisão como destino. O maníaco do tratamento precoce e responsável direto por quase 600 mil mortos não será exceção".

DOS FRUSTRADOS A UM DEMENTE EX CAPITÃO

 DOS FRUSTRADOS A UM DEMENTE EX CAPITÃO


por Jeorge Cardozo


"Um oceano de distância não é suficiente para apaziguar o espírito. Assisto de longe os acontecimentos do 7 de Setembro e a dúvida me consome: como um país inteiro continua sequestrado por meia dúzia de dementes que, no fundo, não compreendem as consequências de seus atos? Que medo profundo, atávico, impede uma reação à altura, um basta, da maioria? Quem dirá “chega de palhaçada, há coisas mais urgentes a resolver: a economia em frangalhos, a vacinação claudicante, o desemprego recorde, a fome, a dignidade, a compostura”? O Brasil desenvolveu uma Síndrome de Estocolmo?


Gastamos um mês de nossas vidas a discutir os preparativos das manifestações a favor de Bolsonaro, temerosos de um golpe imaginário. Mais uma vez nos deixamos enganar, desviamos os olhos do que mais importa, enquanto o Brasil definha de inanição, entregue ao caos absoluto, à incompetência em estado bruto. Nada mais importa ao ex-capitão a não ser salvar a si e aos filhos. Todos sabem e mesmo assim permitimos que ele abuse das estruturas do Estado e cometa crimes de responsabilidade em série para alcançar seu objetivo.


A extensão do protesto em São Paulo mantém o Brasil refém de um impasse, aprisionado em seus recalques. Para se libertar, basta, no entanto, olhar o panorama geral. Na Esplanada dos Ministérios em Brasília, o vento circulou pelas fileiras de manifestantes com a mesma desenvoltura com que atravessa a cabeça dos bolsonaristas. No Rio de Janeiro, havia mais banhistas na areia do que camisas da CBF no calçadão do Posto No resto do País, o silêncio foi ensurdecedor. Os apoiadores e financiadores do ex-capitão concentraram os esforços para encher a Avenida Paulista e manter as tropas unidas. Reuniram o que podiam. Não é pouco, mas, ao mesmo tempo, é quase nada. Oito quarteirões não podem ditar os rumos de todas as ruas, avenidas, vielas, becos, estradas e escadarias de um país continental. Ou podem?


Adeus à reeleição?


Cassar a chapa Bolsonaro - Mourão é mais viável do que impeachment, diz cientista político

Para completar, há a foto de Bolsonaro com a faixa presidencial no rolls-royce pilotado por Nelson Piquet. Um eventual golpe no Brasil, revela a imagem, seria mais cômico do que trágico. Falta ao capitão os atributos de um ditador. O retrato lembra um filme do fim dos anos 80, “Luar de Parador”. Embora Bolsonaro não tenha a simpatia e o talento de Richard Dreyfuss, não passa de um ator coadjuvante contratado às pressas para desempenhar o papel de um autocrata de uma república bananeira. Imitação barata. Piquet no volante reforça a piada, o sujeito que aceitou o papel de vilão nas manhãs de domingo da Rede Globo, o piloto de Fórmula 1 mal humorado, antípoda de um corredor com poderes sobrenaturais, capaz de assumir uma forma etérea e ver a si mesmo no volante, prova de que o Brasil, entre outros dramas, não sabe escolher seus heróis. Piquet era, em resumo, o antagonista de uma farsa. Agora se presta a conduzir outra. E nós, petrificados, vidrados na televisão, como se a tela exibisse um programa banal em um feriado qualquer. Como se reinasse a mais absoluta normalidade".

PORQUÊ OS PROTESTOS ORGANIZADO PELO "CENTRÃO" FALHOU?

 PORQUÊ OS PROTESTOS ORGANIZADO PELO "CENTRÃO" FALHOU?


por Jeorge Cardozo


Sem a presença do PT, PSOL, PSTU, PCO, PSB, REDE e a base sólida dos sindicatos de trabalhadores e das organizações populares, a mobilização contra Jair Bolsonaro neste domingo (12) estava fadada ao fracasso - e foi. Só serviu para endossar a farsa de que as ruas são a voz do povo. Com um pequeno contingente, os atos serviram mais a favor do presidente do que contra. Afinal, MBL e Vem Pra Rua, próceres no impeachment de Dilma Rousseff, foram engolidos pelo bolsonarismo e respiram por aparelhos na disputa por ascendência nas bolhas virtuais. A direita nutela, que por vezes recebeu aval da mídia como grande voz, estourou as pregas vocais após a ascensão de Bolsonaro.


 Ainda que as reivindicação fossem justa, o MBL e o VEM PRA RUA, não têm moral para reivindicar, pois, são responsáveis diretos pelo golpe parlamentar contra a ex presidente Dilma e são responsáveis direto pela eleição do tresloucado presidente Bolsonaro. Os excessos presidenciais têm levado o país à boca de um abismo, quase que deixando o Brasil dependurado em linhas muito finas. O impeachment de Bolsonaro é um caminho que dificilmente será traçado por agora, especialmente após o embarque dos achacadores da res pública emedebista, liderada pelo chefe da gangue Michel Temer. O Palácio do Planalto voltou a dar guarida ao MDB e o "mercado" e a cena política aprovaram, como se fosse possível moderar o imoderável (sim, é a Bolsonaro que me refiro). Além de crimes de responsabilidade, o impedimento de um presidente se faz com condições políticas. E o anti-stablishment Bolsonaro sabe como funcionam esses esquemas - passou quase 30 anos como parte deles e ainda assim se vendeu como bom moço.


A esquerda clássica preferiu, dessa vez, não ser massa de manobra. Pudera. Não dá pra aderir a um movimento organizado pelas faces dos golpistas contra lulo-petismo da presidência. E eles não estão errados. Participar de um ato contra Bolsonaro pregado por grupos que não são tão lá afeitos à democracia é um risco que vale a pena para os desesperados por votos da direita não extrema, vide a participação de Ciro Gomes e João Doria - e até Alesandro Vieira (quem?) - nas manifestações. A democracia só existe se nascer no seio da esquerda, pois, esta têm capital político para tal.


 Para demover Bolsonaro e asseclas do poder será necessário mais do que voto. O discurso latente do 7 de Setembro, seguido pelo recuo temporário, é só um dos sinais disso. O bolsonarismo representa a putrefação das instituições democráticas e ainda não é perceptível que a sociedade brasileira tenha enxergado isso. Não esperemos também que os partidos políticos e as ideologias menos propensas ao autoritarismo consigam visualizar tão cedo que é preciso mais do que lapidar diferenças para caminhadas conjuntas. É preciso encontrar um denominador comum, algo que o eco da antipolítica faz questão de destruir.


 O ato da direita nutela fracassou e ajudou Bolsonaro. Ficou claro que a famigerada terceira via ainda está longe de existir e o processo eleitoral vindouro deverá se resumir ao ex presidente Lula (e diga de passagem, apesar de todos os percalços foi o melhor da história política brasileira e não é a toa que lidera todos os cenários para a presidência em 2022), e o atual Bolsonaro.

O MBL e o VEM PRA RUA deixa de fora dos seus protestos os reais problemas, como inflação, fome e sucessivas crises, ficam de fora do debate público. Até a voz do povo realmente ecoar. Aí é exigir demais até mesmo dos otimistas. Lembra o Brasil como o país do futuro? Ele permanece preso ao próprio passado.