sábado, 7 de dezembro de 2013

-VITÓRIA DE WAGNER: MORTE OU NOCAUTE NO CARLISMO


VITÓRIA DE WAGNER: MORTE OU NOCAUTE NO CARLISMO


Por Jeorge Cardozo*

Estudiosos do assunto comentam por ai, que a designação esquerda e direita perdeu sentido. Relativamente, como não está mais na moda, ser esquerda ou direita se tornou uma questão de interpretação, sobre a qual se travam polêmicas que raiam os absurdos. Num estado recém-saído de um Governo centrado no Carlismo com conteúdo autoritário ainda constitui memorável referência para discernir posições: se não define quem é quem, pelo menos faz saber onde mora à direita. Ou melhor, devia saber. Pois na Bahia muita gente parece em poucos dias esquecer os dezesseis anos de turbulência do carlismo. Aqui, reina certa ilusão como a que ocorreu com Waldir Pires em 1986 que se misturou com a Banda B do Carlismo e depois “Farelo comeu”.

As eleições estaduais de 2006 ilustram o ponto. A vitória inesperada de Wagner no primeiro turno, do PT, aparece como triunfo da esquerda, a contestar um suposto direitismo para o qual à aliança com a banda B do Carlismo fortalece o mito de que para se chegar a uma vitória no estado, passa-se por uma aliança com setores menos privilegiados do Carlismo como o que aconteceu com Waldir em 1986, e no final deu no que deu cujo papel agora, seria substituir o DEM, considerando moribundo e inútil, na vanguarda das transformações desejadas. Ora, nem o Carlismo está morto, nem a Bahia votou necessariamente na esquerda. É só olhar a banda B do Carlismo, presente no palanque de Wagner. Há infinitamente necessidade que uma “frente de esquerda”, tome as rédeas neste momento de transição para que a outra Banda podre do Carlismo presente nos municípios não se apodere da máquina do estado no interior em lugar daqueles que trabalharam pela vitória desde o início como o que aconteceu com o PL, PTB e PP, na esfera nacional.

Reiterando o dito popular “quem vê cara não vê coração”, a Bahia revela uma situação complexa e nada original nas quais as aparências ocultam processos contraditórios que vêm se manifestando tanto eleitoralmente quanto em termos do espectro partidário (a aliança que elegeu João Henrique, por exemplo). É com vistas a esclarecê-la que se deve tentar entender os resultados do último pleito, assim como pensa em perspectiva o futuro do próximo governo.

Em 2006, de fato, Wagner foi o grande vencedor. Usando a popularidade do presidente Lula, institucionalizou o chamado “voto de protesto”, com que elegera Lula em 2002, e penetrou fundo nos redutos do Carlismo. Tecendo alianças as mais esdrúxulas a fim de levar adiante seu projeto de chegar ao governo do estado, como de fato chegou. Desse modo, induziu, por entre as frestas desenhadas pelas dificuldades que o Carlismo enfrentava, e floresceu um discurso um tanto populista como o feito por Lula, centrado nas questões sociais, mas nenhum plano de governo consistente para o desenvolvimento do estado, dominado pelas tendências mais atrasadas que preferem ver o estado com um dos maiores índices de pobreza e uma educação estagnada do que dar passagem aos setores modernos que se apresentam. De direito, as chamadas esquerdas de fato abrigadas na coligação PSOL/PSTU/PCB – na medida em que não postularam ganhar eleição, apenas marcar posição – acaba por incentivar a candidatura petista. Para todos os efeitos, o PT arrastou parte da direita, incentivando a imaginação e o oportunismo de aventureiros de várias matrizes, sendo que alguns acabaram derrotados como o que aconteceu com Jonival Lucas, Benito Gama, Udurico Pinto entre outros.

A vitória de Wagner se dá no Bojo de um processo de transição nacional, em que o governo do Presidente Lula coloca o social como bandeira, ou seja, significativos avanços no campo social (como o bolsa família, por exemplo), foram conseguidos e evidentemente muito está por ser feito ainda em um segundo governo (como ensinar a pescar, por exemplo) sem, contudo, terem uma expressão institucional que os torne direitos irrevogáveis. A consolidação e ampliação destes direitos, ou melhor, distribuição de renda, dependerá da forma como ele se expressará institucionalmente no nível federal e estadual: além disto, estas distribuições de renda se darão pelo peso específico que cada uma das forças componentes das alianças políticas tiver no processo desta institucionalização.
Só neste sentido é possível admitir que as mudanças conjunturais da vitória de Wagner no último pleito baiano terão não só uma dimensão nacional como tende inclusive a ter influência na hegemonia interna do partido dos trabalhadores derrotado humilhadamente em São Paulo.

Tendo imposto importante derrota à seção melhor estruturada e mais avançada do DEM, em um dos principais estados de Federação, a emergente articulação do centro esquerda na Bahia, desequilibra precisamente o eixo estruturador da direita com a vitória do Lula no 2o turno das eleições de 2006. Foi precisamente a seção paulista do PT que quase consegue, pagando com a derrota local, expressar com maior clareza que, no jogo político é preciso muito cuidado para não estragar toda uma articulação feita.

Contudo, batido nas últimas eleições o Carlismo não está morto, porém, mergulha na sua mais profunda crise e passa a ter sua unidade interna erodia não só pela natural tensão da derrota para o governo do estado e para o senado, como também pela idade e estado de saúde em que se encontra o seu líder maior.

Uma vez conquistado o governo do estado, caberá ao PT determinar que modelo de estado economicamente ativo e com distribuição de renda se deseja que uns dos problemas mais graves do nosso estado são a concentração de renda nas mãos de poucos enquanto, uma grande maioria passa fome ou vive a margem da miséria. Portanto, apesar deste quadro desolador descrito acima, caberá ao novo governo, compor não só uma unidade na frente que o elegeu, como também na medida do possível conviver com a oposição Carlista. Cumprindo esses requisitos, estará qualificado para exercer um bom governo de centro esquerda e, simultaneamente, bater o que sobrou do Carlismo no estado. A tarefa não é fácil, mas trata-se de passo essencial à democracia do estado.

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*Jeorge Luiz Cardozo é mestre em políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.

-A RESSUSCITAÇÃO DE KEYNES.


A RESSUSCITAÇÃO DE KEYNES. 

Por Jeorge Cardozo*            

 Está entrando em decadência com essa nova crise cítrica do capitalismo, uma corrente de pensamento econômico liderada por Hayek e Friedman que operou em grande parte do mundo por mais de 30 anos. Caracterizada como neoliberal ou novo liberalismo, sem, no entanto, resolver (pelos menos em médio e longo prazo), os problemas criados por esse modelo. Baseado na idéia de que as forças internas do mercado por si só, seriam capazes de conduzir e delinear os tramite das economias nacionais. Com o slogan da “mão invisível”, todos os problemas do mercado seriam resolvidos e a prosperidade geral assegurada, falhou feio.

A derrocada começou exatamente onde ninguém esperava, na maior economia do planeta e governada por um transloucado que acha que, a guerra e a invasão a soberania de outros países, são suficientes para se manter um império de pé. Errou feio. Para barrar a economia mundial do colapso, já foram gastos até o momento, uns três trilhões de dólares. No Brasil teve início com o governo Collor, continuou com as privatizações de FHC e com o colapso cambial de 1999, demonstrando uma incompetência geral.

 Com isso, fica claro que cada 30 anos uma corrente de pensamento econômico surge e desacelera a outra. Antes do neoliberalismo, tivemos a presença firme dos chamados keynesianos, tendo o inglês John Maynard Keynes como patrono, que proponha a intervenção do estado na economia, que eram combatidos pelo austríaco Friedrich Hayek e o americano Milton Friedman. Para Hayek o planejamento econômico e a ação dos governos eram o “Caminho da Servidão”, título de sua obra principal, publicada em 1944. No inicio, foi massacrado por todos. Assim como Keynes o tinha sido antes. Porém , em 1974, deram-lhe o Prêmio Nobel de Economia. E, dois anos após era a vez de Friedman.  

 Com a segunda crise cítrica do capitalismo nos anos 70, os Keynesianos saíram de cena. A vitória de governos conservadores como Pinochet no Chile 1974, Margaret Thatcher na Inglaterra 1979 e Ronald Reagan nos Estados Unidos 2000, reacenderam as idéias de Hayek e Friedman. Neste momento, os Keynesianos foram massacrados.

Por ironia do destino, foi um governo conservador como de George w. Bush, preconizado nas idéias de Hayek e Friedman, quem tem levado a economia dos Estados Unidos para o buraco e, com ele, as demais economias nacionais macro globalizadas. No primeiro momento liberando as práticas da banca em nome da liberdade do mercado. Em seguida, recorrendo a mais elementar das construções Keynesianas para evitar o desastre e foi buscar no caixão da viúva o remédio para a crise. Destarte, Hayek e Friedman em hipótese alguma, defenderiam as políticas de seus discípulos.
 
Portanto, nestes momentos de inflexão do capitalismo, mais uma vez, as idéias ressuscitadas de Keynes ressurgem como salvadora da pátria deles e, consequentemente, nossa no planeta macro globalizado onde as economias nacionais tornaram-se reféns do mercado liberal.

Com isso, fica clara a necessidade de construção de novas alternativas no campo da política e de surgimento de novos atores com capacidade de organizar no seio da luta de classe, novos paradigmas de inserção do proletariado na derrubada da estrutura descrita acima e implementação de projetos coletivos de desenvolvimento da economia, dando um basta na luta de classe e, consequentemente, no modelo econômico capitalista.

 No entanto, em pleno século XXI, depois de tantas crises e soluções mirabolantes por parte de teóricos do capitalismo para resolver os problemas criados por eles mesmos, as idéias delineadas por Karl Marx continuam mais vivas do que nunca principalmente, a analise que ele fez sobre essas crises cítricas do capitalismo que, na visão dele, serão superados pelo próprio capitalismo por determinado momento, até que entre em contradição com ele mesmo. A contradição na visão de Marx é o momento em que o capitalismo não superará mais, as contradições que ele mesmo criou então, será superado por um novo modelo.

 Destarte, esperar a superação do capitalismo pela sua própria contradição, poderá levar muito tempo como diria o próprio Marx. Por esta causa é que ele coloca o método revolucionário como o mais eficaz e mais rápido para se chegar ao socialismo. Mas para tal envergadura, é preciso que se tenha uma massa revolucionária preparada para enfrentar todas as lutas que se antecederá à tomada de poder. Por isso é que Marx coloca a preparação ou formação de quadros como fator fundamental de organização de um processo revolucionário.

No atual momento, em que a chamada democracia burguesa prevalece sobre um grande contingente de nações, a tomada de poder através de democracia participativa como a que vem acontecendo na Venezuela, Bolívia, Equador e iniciando no Paraguai, onde dirigentes de perfil esquerdista têm chegado ao poder através da chamada democracia burguesa e depois se utilizam da democracia participativa para fazer as mudanças dentro da legalidade constitucional sem ferir de certa forma, as suas constituições, é um bom exemplo de mudanças de mentalidade de povos que há muito, são submetidos aos saques colônias dos impérios capitalistas, é um bom exemplo aqui para o Brasil.

Obviamente que quando elegemos o presidente Lula aqui no Brasil, era essa a nossa expectativa. Destarte, com os rumos tomados pelo presidente Lula e pelo seu PT, criou um vazio na verdadeira esquerda brasileira que, se sentiu de certa forma, traída pelo PT e os demais partidos ditos de esquerda. O fato positivo disto foi à criação do PSOL como partido de vanguarda das mudanças democráticas participativas que o Brasil precisa com toda a sua gente. No entanto, temos um longo caminho a percorrer, pois, não se constrói um partido de vanguarda de mudanças em um curto espaço de tempo, principalmente com as instituições sociais cooptadas pelo atual governo como Sindicatos, ONGs, Setores da Igreja, Associações e Movimentos Sociais, todos cooptados através de distribuições de cargos e outros antagonismos de cooptação.  

 No meu humilde entendimento, é preciso que os camaradas do PSOL busquem, mesmo com todas as dificuldades encontradas na fase inicial de construção de um partido de vanguarda, ocupar todos os espaços possíveis de discussão política e de trocas de idéias, para fazer a disputa por dentro das organizações tanto pública quanto privada de um novo modelo ideológico centrado em mudanças concretas de mentalidade e de difusão delas. É necessário também que se faça criticas consistente ao atual governo, demonstrando os pontos fracos do governo e soluções viáveis para a solução do problema, pois, a critica pela critica sem mostrar de fato o que podemos fazer pode se virar contra nós mesmos. Já que o atual governo goza de grande popularidade por conta de medidas de cunho assistencialista e, principalmente, por sua identificação com a massa que, vê nele, a sua imagem e semelhança pela sua própria trajetória de vida.

 Como analise final, é preciso dizer que este artigo tem apenas a pretensão de abrir o debate, e não de ser considerado como verdade imutável.

*Jeorge Luiz Cardozo é mestre em políticas públicas e desenvolvimento local sustentável.
  


                                                                                                

-OLHOS NEGROS


OLHOS NEGROS

Por Jeorge Cardozo

Eu quero,
Você quer,
Abra o coração.
Solte os desejos de menina
Que quer ser mulher;
Meu coração quis que você fosse toda minha,
Que o amor une,
A hipocrisia não separa.
Entregar-me-ei a ti,
Hoje, amanhã e sempre,
E foste desvendando as tuas entranhas molhada e trêmula.
E as minhas mãos escorregaram em cada parte do teu suave corpo,
Desejo, emoção, até atingirmos o esplendor na mesa,
E gemeu por inteira, como à primeira vez,
 Sorria linda, de olhar negro e profundo.
Que em mulher se transformara há muito tempo.
De menina a mulher no meu leito deu sinal.
Eternizou-se na minha alma,
E as ilusões se desfizeram.
Amor sente por ti!
Perdoe-me se as distâncias nos consomem,
Se me amas, então vamos nos entregar,
E vivermos sempre bons momentos, pois, à distância não nos leva a nada.
Se não, os nossos sonhos sejam eternizados como boas lembranças,
E vamos seguir os novos caminhos que o nosso olhar já desenhou.

- O AMOR E O HUMANISMO


 O AMOR E O HUMANISMO

Por Jeorge Cardozo

 Viver é expandir, é iluminar.

Viver é derrubar barreiras.
Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as nossas grades, ao invés delas nos libertarmos.
 Procuro descobrir, nos outros, sua dimensão, única.
Sou coletivo.
Tenho o mundo dentro de mim.
Um profundo respeito humano.
Um enorme respeito à vida.
Acredito nos homens. Até nos vigaristas.
Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade.
 Não tenho piscina se tenho o mar.
Por respeito a cada ser humano em todos os cantos da terra, e por gostar de gente - gostar de gostar-é que encontro em cada indivíduo o reflexo do universo.
As pessoas chamam de amor ao amor-próprio.
Chamam de amor ao sexo.
Chamam de amor a uma porção de coisas que não são amor.
Enquanto a humanidade não definir o amor, enquanto não perceber que o amor é algo que independe da posse, do egocentrismo, da planificação, do medo, da necessidade de ser vingativo, o amor não será amor.
A coisa mais importante da vida seja não compreender a importância da vida, não se realizar.
O homem deve viver se realizando.
O realizado botou ponto final.
Não podemos viver permanentes, grandes momentos.
Mas podemos cultivar sua expectativa.
Acredito em milagre.
Nada mais milagre miraculoso que a realidade de cada instante.
Acredito no sobrenatural.
O sobrenatural seria o natural mal explicado, se o natural tivesse explicação.
Enquanto o homem não marcar um encontro consigo mesmo, verá o mundo com prisma deformado.
E construirá um mundo em que a luta terá prioridade.
Um mundo mais luta do que luar.